Porto Velho, RO - O FBI realizou uma operação de busca em um escritório eleitoral do condado de Fulton, na Geórgia, região metropolitana de Atlanta, como parte de uma investigação relacionada às alegações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que sua derrota nas eleições de 2020 teria ocorrido por meio de fraude eleitoral generalizada.
Em nota breve, o FBI informou que agentes cumpriram um mandado judicial no Centro Eleitoral e Operacional do Condado de Fulton, localizado em Union City. A instalação, inaugurada em 2023, funciona em um espaço semelhante a um armazém e armazena materiais eleitorais. A agência classificou a ação como “atividade policial autorizada por tribunal”.
Segundo o governo do condado de Fulton, o mandado tinha como objetivo a apreensão de registros relacionados às eleições de 2020. De acordo com um oficial ouvido pela Reuters, sob condição de anonimato, os agentes buscavam computadores e cédulas eleitorais que estariam guardados no local, no âmbito de uma investigação sobre possível interferência eleitoral.
A Geórgia foi um dos estados decisivos no pleito de 2020, quando o democrata Joe Biden venceu Trump por margem apertada. Trump retornou à Presidência em 2024, conquistando um segundo mandato após vencer as eleições do ano passado.
Reação local
A comissária do condado de Fulton, Mo Ivory, confirmou a operação e afirmou que autoridades federais recolheram cerca de 700 caixas de cédulas eleitorais armazenadas em local seguro. Em vídeo publicado nas redes sociais, gravado dentro do centro eleitoral, Ivory acusou o presidente de “tentar criar o caos” com objetivos políticos.
Segundo ela, a ação pode favorecer candidatos republicanos nas eleições de meio de mandato, previstas para novembro. A Geórgia deverá sediar uma das disputas mais acirradas pelo Senado, com o democrata Jon Ossoff buscando a reeleição.
Em declarações à imprensa, Ivory classificou a operação como um “ataque aos eleitores” e afirmou que autoridades locais avaliam quais medidas judiciais podem adotar para contestar a intervenção federal.
“Sabemos que, neste momento, na América, não importa se você está certo ou não. Se o presidente quiser enviar forças federais, ele o fará”, declarou.
Contexto político
A diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, deveria visitar o local da operação ainda nesta quarta-feira, o que foi considerado incomum por ex-autoridades ligadas à segurança interna. Segundo a Reuters, Gabbard formou no ano passado um grupo interinstitucional com integrantes do Departamento de Justiça e de outros órgãos federais, que teria auxiliado ações de retaliação política durante a campanha de Trump.
A operação ocorre uma semana após Trump reiterar, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, sua alegação — já amplamente contestada por tribunais e autoridades eleitorais — de que a eleição de 2020 foi fraudada.
“As pessoas logo serão processadas pelo que fizeram”, afirmou o presidente na ocasião.
Paralelamente, o governo Trump ingressou, no mês passado, com uma ação judicial para obter as cédulas eleitorais de 2020 do condado de Fulton. No processo, o governo afirma que o material estaria sob custódia do Tribunal Superior do Condado de Fulton, em Atlanta.
Fonte: Agência Brasil