Farra do INSS: Lulinha contrata advogado e pede acesso a inquérito

Farra do INSS: Lulinha contrata advogado e pede acesso a inquérito

Lulinha foi citado pela Polícia Federal como possível sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS

Porto Velho, RO - O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passou a ser investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes previdenciárias revelado pelo portal Metrópoles e que ficou conhecido como “Farra do INSS”.

Diante do avanço das investigações, Lulinha constituiu oficialmente um advogado para acompanhá-lo no caso. A defesa será feita pelo criminalista Guilherme Suguimori Santos, que solicitou, no último dia 19 de janeiro, acesso aos autos do inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a apuração, Lulinha passou a ser investigado como possível sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso desde setembro sob suspeita de comandar um esquema milionário de fraudes previdenciárias. O filho do presidente é citado como suposto beneficiário de pagamentos mensais no valor de R$ 300 mil, hipótese que ainda está sob apuração.

Até então, Lulinha não havia formalizado defesa técnica, sob o argumento de que não figurava oficialmente como investigado no inquérito. As manifestações públicas vinham sendo feitas por meio do advogado Marco Aurélio de Carvalho, do grupo Prerrogativas, que reiterava não atuar formalmente como defensor do empresário.

“A nossa ideia é saber o que há neste inquérito que tem motivado essas diversas manifestações da imprensa”, afirmou Guilherme Suguimori. Segundo o advogado, a defesa aguarda decisão do STF para ter acesso integral aos autos, afirmando atuar, até o momento, “às cegas”.

Menções a Lulinha surgem em materiais apreendidos

Conforme comunicado da Polícia Federal ao STF, durante a análise de materiais apreendidos e a quebra de sigilo de investigados ligados ao Careca do INSS, surgiram referências ao nome de Lulinha em diferentes núcleos de dados da investigação.

Apesar das citações, a PF destacou ao ministro André Mendonça que, até o momento, não há elementos objetivos que comprovem o envolvimento direto do filho do presidente no esquema criminoso.

Entre os dados analisados, constam diálogos entre o Careca do INSS e um funcionário, nos quais o lobista menciona o envio de R$ 1,5 milhão à empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha. Em uma das mensagens, o investigado afirma que o valor seria destinado ao “filho do rapaz”, expressão que a Polícia Federal avalia como possível referência a Lulinha.

Entrega de medicamento e preocupação com vínculo

A investigação também identificou que, em dezembro de 2024, o Careca do INSS teria enviado um medicamento para o apartamento onde Lulinha residia em São Paulo. A encomenda estava endereçada a Renata Moreira, esposa do empresário. Procurado à época, Lulinha afirmou desconhecer o envio e negou qualquer relação de proximidade com Antonio Antunes.

A empresária Roberta Luchsinger é apontada pela PF como integrante do núcleo político do lobista. Mesmo após a deflagração da primeira fase da operação, em abril de 2025, ela teria mantido contato com o investigado. Em mensagens analisadas pela Polícia Federal, Roberta demonstrou preocupação ao informar que a PF havia apreendido um envelope “com o nome do nosso amigo”, temendo a divulgação do vínculo com Lulinha.

Investigação segue em andamento

A Operação Sem Desconto segue sob análise do Supremo Tribunal Federal. Até o momento, não há denúncia formal contra Lulinha, e a Polícia Federal afirma que as apurações continuam para esclarecer o significado das menções e a eventual existência de vínculos financeiros ou societários irregulares.

Fonte: Metrópoles

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