Chuvas abaixo da média tendem a persistir e agravar seca em São Paulo

Chuvas abaixo da média tendem a persistir e agravar seca em São Paulo

Cenário de escassez hídrica tem relação com o La Niña

© Divulgação/Sabesp

Porto Velho, RO - A média de chuvas em praticamente todas as estações de medição da região metropolitana de São Paulo está abaixo do esperado para o mês de janeiro e a tendência é de que o cenário se mantenha ao longo de todo o primeiro trimestre de 2026. A única exceção é o posto do Mirante de Santana, na zona norte da capital, que já superou a média histórica do mês.

Segundo especialistas, a situação é causada pela dificuldade de avanço de frentes frias vindas do Sul e pela redução do transporte de umidade proveniente do Atlântico e da Amazônia. Essas condições estão associadas à alta anômala provocada pela persistência do fenômeno La Niña no Oceano Pacífico, cuja atuação foi confirmada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Com a influência do La Niña, a condição de seca em todo o estado de São Paulo se intensificou. Desde janeiro de 2024, o estado enfrenta seca severa ou extrema. Apenas a região norte paulista registra seca severa nos últimos 12 meses; as demais áreas são classificadas pelo Inmet como em seca extrema no mesmo período.

O Inmet também considera 2025 como um ano seco, já que as chuvas do verão 2024/2025 não foram suficientes para recompor o estoque de água no solo.

“No primeiro trimestre teremos chuva abaixo da média em toda a região entre o sul da mesorregião de Bauru, a região de Itapetininga e a Região Metropolitana de São Paulo”, afirmou o meteorologista Leydson Dantas, do Inmet.

Segundo ele, há possibilidade de melhora apenas a partir do segundo semestre, com o enfraquecimento do La Niña — cenário considerado 75% provável pela National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa), dos Estados Unidos.

Enquanto o fenômeno mantiver força, também é esperada uma concentração excepcional de chuvas na Região Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, além do litoral do Paraná, Santa Catarina e países vizinhos como Argentina e Uruguai.

Reservatórios em níveis críticos

A escassez hídrica já provoca impactos de curto prazo em todo o estado e efeitos de longo prazo nas regiões noroeste e leste, segundo o monitoramento mensal da Agência Nacional de Águas (ANA).

Os reservatórios que abastecem a capital e a região metropolitana seguem em situação crítica. Na medição desta sexta-feira (16), o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), monitorado pela Sabesp, operava com 27,7% da capacidade, patamar semelhante ao registrado em janeiro de 2016, após a seca histórica de 2015.

O Sistema Cantareira, responsável por mais de 40% do abastecimento da Grande São Paulo, apresenta 19,39% de volume útil. O reservatório Jaguari-Jacareí, que concentra cerca de 85% do Cantareira, está com apenas 16,89% da capacidade.

Medidas emergenciais

Segundo a Sabesp, o enfrentamento da crise inclui ampliação da captação de água, com reforço no sistema Alto Tietê, que passou a receber volumes do Rio Itapanhaú, além de investimentos em modernização de equipamentos, redução de perdas, melhorias em tubulações, estações de tratamento e bombeamento.

A companhia informou ainda que, desde o final de agosto de 2025, tem realizado redução ou interrupção do abastecimento no período noturno em diversas regiões.

Em nota, a Sabesp reconheceu a gravidade do cenário.

“A região metropolitana de São Paulo enfrenta uma situação hídrica historicamente desafiadora.”

Segundo a empresa, a disponibilidade hídrica per capita é de cerca de 149 m³ por habitante ao ano, índice comparável ao de regiões semiáridas e muito abaixo do recomendado internacionalmente. Em 2025, as chuvas ficaram entre 40% e 70% abaixo da média, com vazões drasticamente reduzidas.

Situação das secas no Brasil

A ANA divulgou nesta sexta-feira o mapa do Monitor de Secas, com dados consolidados de dezembro. Houve piora no Nordeste, especialmente em áreas do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia, com avanço da seca extrema. No Sudeste, aumentaram as áreas de seca moderada e grave em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Em São Paulo, houve leve melhora no oeste e centro-norte, com recuo da seca moderada e grave, embora o quadro geral continue preocupante.

Já as regiões Sul e Norte registraram melhora na maior parte do território, com recuo dos níveis de seca em estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins.

Monitoramento e alertas

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que acompanha continuamente a situação hídrica e que o estado opera atualmente na Faixa 3 de Atuação, com 27,74% de reservação no SIM.

Caso o sistema entre na Faixa 4 e permaneça por sete dias consecutivos, novas medidas de contingência poderão ser adotadas, como a ampliação da Gestão de Demanda Noturna (GDN).

Desde a implantação da GDN, em agosto de 2025, a Arsesp informa que já foram economizados mais de 70,2 bilhões de litros de água, volume equivalente ao consumo mensal de 12,3 milhões de pessoas.

A agência reforça a importância do uso consciente da água, destacando que pequenas ações cotidianas são essenciais para preservar os mananciais e garantir o abastecimento da população.


Fonte: Agência Brasil







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