Rondônia, 31 de março de 2026
Banco Central decreta liquidação da Will Financeira, controlada pelo Banco Master

Banco Central decreta liquidação da Will Financeira, controlada pelo Banco Master

Instituição financeira era controlada pelo Banco Master

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Porto Velho, RO - O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master, que já havia sido liquidado em novembro de 2025 e vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET).

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (21). Entre as medidas determinadas pelo BC está a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira, que integrava o conglomerado liderado pelo Banco Master.

De acordo com o Banco Central, quando a liquidação do Banco Master foi decretada, optou-se inicialmente pela imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A como tentativa de preservar o funcionamento da Will Financeira. No entanto, a autoridade monetária concluiu que essa alternativa não se mostrou viável.

Bloqueio no sistema de pagamentos tornou liquidação inevitável

O BC informou que, no dia 19 de janeiro, a Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos junto ao arranjo Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos, o que resultou no bloqueio de sua participação no sistema.

Diante do comprometimento da situação econômico-financeira, da insolvência da instituição e do vínculo direto com o Banco Master, o BC considerou inevitável a liquidação extrajudicial.

O conglomerado liderado pelo Banco Master representava 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Entenda o caso Banco Master

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master teve crescimento acelerado ao oferecer CDBs com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, passou a assumir riscos elevados e estruturar operações que inflavam artificialmente o balanço, enquanto a liquidez efetiva se deteriorava.

Relatórios do Banco Central e investigações da Polícia Federal apontam que o colapso do banco foi não apenas financeiro, mas também institucional.

Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações financeiras. O banco emprestava recursos a empresas supostamente de fachada, que aplicavam o dinheiro em fundos da Reag Investimentos.

Esses fundos adquiririam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por valores inflados. O Banco Central identificou seis fundos suspeitos, com patrimônio conjunto estimado em R$ 102,4 bilhões, envolvendo circulação de recursos entre fundos ligados aos mesmos intermediários até chegar aos beneficiários finais.

O caso segue sendo considerado um dos mais graves do sistema financeiro recente, com impacto direto sobre investidores e sobre a credibilidade das instituições de controle.

Fonte: Agência Brasil

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