Porto Velho, RO - Um áudio que circula com rapidez — e provoca burburinho — em grupos de policiais civis tem gerado inquietação nos bastidores da segurança pública em Rondônia. A gravação, atribuída à secretária do SINPOL, Linda Cristina de Lima Costa, em diálogo com o policial civil aposentado Milton Berbert, traz relatos que sugerem possíveis irregularidades contábeis envolvendo o deputado estadual Ribeiro do Sinpol (PRD).
A conversa, de tom confessional, descreve um ambiente marcado por pressões internas, descontrole financeiro e suposta manipulação de balancetes, especialmente durante o período eleitoral. Não há, até o momento, qualquer afirmação de fato consumado. Trata-se de relatos que exigem apuração rigorosa, como preconiza o jornalismo responsável.
O QUE DIZ O ÁUDIO
No trecho que mais repercutiu, Linda Cristina afirma que, em determinado momento, teria pedido a interrupção das práticas relatadas:
“Cara, já tá bom, chega! Já foi muito, foi demais.”
Segundo a interlocutora, a resposta recebida teria sido que as ordens vinham “do Rodrigo”, nome que, no contexto da conversa, é associado à campanha eleitoral. O áudio também menciona dificuldades na prestação de contas e remanejamentos de valores para fechamento de balancetes analíticos, prática descrita como tecnicamente complexa e, nas palavras dela, “feia”.
Em outro momento, a dirigente sindical relata ligações cobrando notas fiscais ausentes e descreve reuniões com contador para alteração de despesas, como a elevação de gastos com hotelaria de trânsito de cerca de R$ 30 mil para R$ 170 mil. O tom é de espanto:
“Nem eu que entendo disso… sou enfermeira. Eu vi a coisa feia.”
REPERCUSSÃO E PRÓXIMOS PASSOS
A circulação do áudio reacendeu debates antigos sobre transparência sindical e financiamento de campanhas. Entre policiais civis, o clima é de cautela: não há disposição para julgamentos sumários, mas tampouco para o silêncio diante de denúncias sensíveis.
Até o momento, não há confirmação oficial da autenticidade da gravação, nem manifestação pública do deputado citado. Especialistas ouvidos de forma reservada defendem que o material seja submetido a perícia técnica e, caso se confirme sua veracidade, encaminhado aos órgãos competentes para investigação.
POR QUE ISSO IMPORTA
Em tempos de desinformação e fake news, áudios como esse exigem verificação séria e responsável. Se verdadeiros, podem indicar falhas graves; se falsos, precisam ser desmentidos com a mesma rapidez com que se espalharam. O que não se admite é ignorar o assunto.
Como diz o ditado antigo — e sábio — quem não deve, não teme.
A reportagem segue acompanhando o caso e manterá espaço aberto para manifestação de todas as partes citadas. Transparência é o mínimo. E a verdade, como sempre, tende a aparecer — cedo ou tarde.