Porto Velho, RO - Durante o Janeiro Roxo, campanha nacional de conscientização sobre a hanseníase, o governo de Rondônia intensifica as ações de informação e alerta à população, destacando a importância do conhecimento correto, do cuidado contínuo e do acesso aos serviços de saúde. A doença ainda é cercada por mitos e desinformação, fatores que alimentam o preconceito e dificultam o diagnóstico precoce.
A campanha reforça que a informação é uma aliada essencial na promoção da saúde. Combater a hanseníase significa garantir dignidade, acesso ao tratamento e respeito às pessoas. Apesar de ser uma doença infecciosa, a hanseníase tem cura, possui tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e não é facilmente transmissível.
Entre os sinais e sintomas mais comuns estão manchas na pele com perda de sensibilidade, que podem ser claras, avermelhadas ou acastanhadas, além de dormência, formigamento, fraqueza muscular e diminuição da sensibilidade ao calor, à dor ou ao toque.
De acordo com os médicos Dahier Atallah e Sonia Caixeta, referências no tratamento da hanseníase em Rondônia e atuantes na Policlínica Oswaldo Cruz (POC), a maior dificuldade no combate à doença ainda é a desinformação. Eles explicam que a hanseníase não é transmitida por contato casual, mas por contato próximo e prolongado, por meio de gotículas respiratórias, entre pessoas com suscetibilidade imunológica ao Mycobacterium leprae. O medo da população, segundo os especialistas, está diretamente relacionado ao desconhecimento.
A informação correta é fundamental para desconstruir o estigma histórico que ainda cerca a doença e que, muitas vezes, afasta pacientes do diagnóstico precoce, do tratamento adequado, da cura e do acompanhamento de possíveis sequelas. Os médicos ressaltam ainda que a hanseníase acomete principalmente os nervos periféricos, causando a chamada neurite periférica, que pode provocar dor, formigamento, perda de sensibilidade e fraqueza muscular.
Principais mitos sobre a hanseníase
Para orientar a população e combater o estigma, os especialistas esclarecem os principais mitos sobre a doença:
🟣 Hanseníase é altamente contagiosaMito. A transmissão ocorre apenas após contato próximo, prolongado e contínuo com uma pessoa sem tratamento, principalmente pelas vias respiratórias.
🟣 Um simples aperto de mão transmite a doença
Mito. O contato físico, como apertos de mão ou abraços, não transmite a hanseníase.
🟣 Compartilhar objetos pessoais causa contágio
Mito. Copos, talheres, roupas e toalhas não transmitem a doença.
🟣 Qualquer contato rápido pode infectar
Mito. A transmissão exige convivência frequente e prolongada com uma pessoa que ainda não iniciou o tratamento.
🟣 Quem está em tratamento continua transmitindo
Mito. Após o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a hanseníase.
🟣 Hanseníase passa pelo ar como a gripe
Mito. A doença não é transmitida de forma rápida ou casual pelo ar.
🟣 Hanseníase não tem cura
Mito. A hanseníase tem cura, e o tratamento é gratuito e eficaz quando iniciado precocemente.
Onde buscar atendimento
A população deve procurar inicialmente a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de casa, onde é realizada a avaliação clínica e, se necessário, o encaminhamento para atendimento especializado. Em Porto Velho, o atendimento também está disponível na Policlínica Oswaldo Cruz, referência no diagnóstico e acompanhamento da hanseníase.
Ao identificar qualquer sinal suspeito, a orientação é procurar a UBS sem esperar sentir dor.
O secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha, reforça a importância da busca imediata pelos serviços de saúde.
“A hanseníase tem cura e o tratamento está disponível na rede pública. Ao perceber qualquer mancha na pele com perda de sensibilidade, é fundamental procurar uma unidade de saúde. O diagnóstico precoce evita sequelas e garante qualidade de vida ao paciente”, destacou.