Porto Velho, RO - O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta terça-feira que Kiev discutiu com o governo dos Estados Unidos a possibilidade de uma presença militar norte-americana em território ucraniano como parte das garantias de segurança em um eventual acordo de paz com a Rússia. O líder ucraniano também classificou como falsa a acusação russa de que a Ucrânia teria atacado uma residência do presidente Vladimir Putin.
Em conversa com jornalistas por meio de um bate-papo no WhatsApp, Zelensky disse que a Ucrânia segue comprometida com as negociações para encerrar a guerra iniciada pela invasão russa em larga escala em 2022 e reiterou estar disposto a se reunir com Putin “em qualquer formato”.
No último domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que ele e Zelensky estariam “muito próximos” de um acordo para o fim do conflito, embora questões territoriais ainda representem entraves. Trump demonstrou cautela quanto às garantias de segurança, defendendo que países europeus assumam a maior parte dessa responsabilidade, com apoio dos EUA.
Já nesta terça-feira, o governo russo afirmou que endureceria sua posição nas negociações após acusar Kiev de um ataque com drones contra uma das residências presidenciais de Putin, na região de Novgorod. A Ucrânia negou veementemente a acusação e afirmou que a narrativa tem o objetivo de justificar novos ataques russos e dificultar o avanço das conversas de paz.
Tropas dos EUA como garantia de segurança
Segundo Zelensky, a presença de tropas norte-americanas seria um fator decisivo para a segurança da Ucrânia.
“Estamos discutindo isso com o presidente Trump e com representantes da coalizão ocidental. Nós queremos isso. Seria uma posição forte de garantias de segurança”, declarou.
A Casa Branca, até o momento, não comentou oficialmente a possibilidade de envio de tropas dos EUA como parte de um acordo de paz.
Zelensky também afirmou não temer um encontro direto com Putin.
“Estou pronto para qualquer formato de reunião. O principal é que os russos não tenham medo”, disse.
Acusação russa é contestada
A Rússia alegou que 91 drones ucranianos teriam sido usados em um ataque contra uma residência presidencial, todos interceptados pelas defesas aéreas. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, classificou o episódio como “terrorismo de Estado” e afirmou que Moscou já identificou alvos para possíveis retaliações.
O Kremlin, no entanto, não apresentou provas materiais do suposto ataque. Zelensky rebateu a acusação, chamando-a de “invenção completa” destinada a justificar a intensificação dos bombardeios contra a Ucrânia, incluindo Kiev.
Em Paris, uma fonte próxima ao presidente francês Emmanuel Macron afirmou que não há qualquer evidência que comprove a versão apresentada por Moscou.
“A Ucrânia e seus parceiros estão comprometidos com a paz, enquanto a Rússia escolhe continuar e intensificar a guerra”, disse a fonte, acrescentando que isso representa um desafio direto à agenda de paz defendida por Trump.
Ataques continuam
Mesmo com o avanço da diplomacia, a Rússia lançou novas ondas de drones contra a infraestrutura portuária e navios civis na região de Odessa, no sul da Ucrânia. A área abriga portos estratégicos do Mar Negro, fundamentais para o comércio exterior e para a economia ucraniana em meio à guerra.
Nos últimos meses, a disputa naval no Mar Negro se intensificou, com ataques de ambos os lados a ativos militares e comerciais.
Fonte: Agência Brasil