Porto Velho, RO - O governo da Venezuela classificou como “roubo descarado” e ato de pirataria a apreensão de um petroleiro venezuelano por militares dos Estados Unidos, realizada nessa quarta-feira (10) em águas internacionais. A embarcação transportava cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo. A ação provocou forte alta nos preços internacionais do produto.
Em nota oficial, o governo de Nicolás Maduro afirmou que a medida faz parte de uma estratégia de agressão e saque das riquezas energéticas do país.
“Este novo ato criminal se soma ao roubo da Citgo, importante ativo do patrimônio estratégico de todos os venezuelanos”, diz o comunicado.
No início de dezembro, a Justiça dos EUA autorizou a venda da Citgo, filial da estatal PDVSA no território americano, que havia sido tomada por Washington em 2019, após o não reconhecimento da reeleição de Maduro.
O governo de Caracas destacou que a operação militar norte-americana evidencia as reais motivações por trás das pressões contra o país:
“Não é a migração, não é o narcotráfico, não é a democracia, não são os direitos humanos. Sempre se tratou de nossas riquezas naturais.”
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou que a apreensão é um “ilícito internacional” e adiantou que o país recorrerá a todas as instâncias multilaterais para denunciar o episódio.
A ação foi anunciada pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump, que declarou que pretende ficar com o navio. “E outras coisas estão acontecendo”, disse, em tom de ameaça, ampliando pressões militares para provocar uma “troca de regime” em Caracas.
Um vídeo de 45 segundos, divulgado por fontes norte-americanas, mostra dois helicópteros se aproximando da embarcação e agentes camuflados descendo sobre o petroleiro.
Especialistas apontam ameaça de bloqueio naval
Segundo o geopolítico Ronaldo Carmona, pesquisador do Cebri, a apreensão pode indicar o início de um bloqueio naval com o objetivo de estrangular economicamente o governo Maduro.
“É bastante grave para o Brasil que a ação militar americana esteja trazendo a guerra para uma região de paz como a América do Sul”, afirmou.
A operação ocorre após os EUA estabelecerem, na semana anterior, uma zona de exclusão aérea próxima ao território venezuelano.
Escalada de pressão
A apreensão do petroleiro se soma a uma série de ações dos EUA contra embarcações venezuelanas no Caribe, oficialmente justificadas como operações antidrogas — apesar de a Venezuela não ser produtora relevante de cocaína nem sede de grandes cartéis.
Desde 2017, o país enfrenta um embargo econômico imposto por Washington.
Durante a campanha presidencial de 2023, Trump chegou a afirmar que, em seu primeiro mandato, esteve “próximo de tomar o petróleo da Venezuela”, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
No início deste mês, a Casa Branca publicou novas diretrizes de segurança nacional reforçando o objetivo de manter “proeminência” dos EUA na América Latina. Analistas apontam que as ações recentes fazem parte de uma estratégia de mudança de regime, especialmente porque Caracas mantém alianças com China, Rússia e Irã, adversários estratégicos de Washington.
Fonte: Agência Brasil