Setor produtivo critica cautela do BC e cobra início do corte de juros

Setor produtivo critica cautela do BC e cobra início do corte de juros

Para entidades, juros altos atrapalham investimentos e empregos

© CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

Porto Velho, RO - A decisão do Banco Central (BC) de manter a Taxa Selic em 15% ao ano voltou a receber duras críticas do setor produtivo e de entidades sindicais. Embora amplamente esperada pelo mercado, a medida é vista como um entrave ao crescimento econômico em um cenário marcado por inflação em queda, desaceleração da atividade e perda de fôlego do mercado de trabalho.

Indústria critica decisão e fala em entrave ao crescimento

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou, em nota, que o BC ignorou “evidências robustas” de que já seria possível iniciar um ciclo de redução dos juros. O presidente da entidade, Ricardo Alban, classificou a taxa atual como “excessiva e prejudicial”, argumentando que ela acelera a desaceleração econômica, encarece o crédito e inibe investimentos.

Segundo ele, há espaço para cortes graduais sem comprometer a convergência da inflação para a meta.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também demonstrou preocupação. Para o presidente Renato Correia, manter a Selic em patamar elevado coloca em risco a continuidade do crescimento do setor em 2026. Ele defende que a redução dos juros ocorra “o mais rápido possível”.

Comércio também reage: juros ‘desconectados da conjuntura’

O economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, avaliou que a política monetária atual está “desconectada do cenário nacional e internacional”. Ele lembrou que países como os Estados Unidos já iniciaram cortes na taxa básica, enquanto o Brasil mantém uma das maiores taxas reais de juros do mundo.

Queiroz argumenta que a postura do BC prejudica investimentos, desestimula o consumo e agrava entraves estruturais, além de tornar mais difícil a condução da política fiscal.

Já a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) adotou um tom mais moderado. Para o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, a manutenção da taxa era esperada diante de um ambiente econômico ainda sensível. Ele destacou que inflação e expectativas seguem acima da meta e que o cenário inclui expansão fiscal, resiliência do mercado de trabalho e incertezas globais.
Segundo ele, o comunicado do Copom será fundamental para indicar os próximos passos.

Centrais sindicais falam em ‘juros extorsivos’

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a decisão como um “descumprimento das necessidades da população e do setor produtivo”. A vice-presidenta da CUT e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, criticou o nível da Selic, afirmando que ele desvia recursos do investimento produtivo para o “rentismo”.

Economistas ligados à central avaliam que a inflação está controlada e que o aperto monetário tem provocado queda do consumo, desaceleração do PIB e enfraquecimento do mercado de trabalho.

A Força Sindical foi ainda mais contundente, chamando a decisão de “vergonha nacional”. Para o presidente Miguel Torres, o Copom favorece especuladores e “estrangula” a economia ao insistir em juros elevados. Ele afirma que a política atual prejudica campanhas salariais, limita o consumo e impõe obstáculos ao desenvolvimento.
Estamos vivendo a era dos juros extorsivos”, declarou.

Fonte: Agência Brasil

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