Porto Velho, RO - A Polícia Civil de Rondônia, por meio da 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO 2) e da Delegacia Regional de Vilhena, deflagrou nesta sexta-feira (12) uma das maiores operações de combate ao crime organizado já realizadas no estado.
A ação integrada, que contou com apoio da Polícia Militar, Politec e Ministério Público, mobilizou 240 profissionais e cumpriu 65 mandados judiciais em Rondônia, Mato Grosso e Rio de Janeiro.
Estrutura do Comando Vermelho foi mapeada
A operação é resultado de um amplo trabalho de inteligência que identificou toda a estrutura hierárquica do Comando Vermelho atuante em Rondônia. As investigações apontaram que o grupo operava com ramificações locais, mas com comando centralizado no Rio de Janeiro, revelando a complexidade do esquema e a capacidade técnica da Polícia Judiciária rondoniense.
Durante a fase ostensiva, foram cumpridos: * 22 mandados de prisão preventiva,
* 15 medidas cautelares diversas da prisão,
* 28 mandados de busca e apreensão.
As ações simultâneas exigiram planejamento operacional rigoroso e articulação entre diversas unidades policiais.
Setores internos da facção foram identificados
As apurações revelaram uma estrutura organizada em núcleos especializados, incluindo:
• Tribunal do Crime
Responsável por ordenar homicídios, extorsões, torturas e atos de extrema violência para manter a disciplina interna.
• Núcleo Financeiro
Gerenciamento dos recursos ilícitos obtidos por extorsões e outras práticas, garantindo o financiamento das atividades no estado.
• Setor de Doutrinação
Voltado ao aliciamento, treinamento e expansão da facção em território rondoniense.
Esse detalhamento estrutural foi considerado essencial para o desmonte da organização.
Líder nacional identificado como mandante
Um dos pontos mais relevantes da investigação foi a identificação de Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, o “Zeus da Muzema”, como responsável por emitir ordens do Rio de Janeiro para chefes do Comando Vermelho em Rondônia.
Considerado um dos principais líderes da facção e integrante da lista de criminosos mais procurados do Ministério da Justiça, Zeus teria orientado ações criminosas interestaduais.
Interceptações apontam que as ordens envolviam:
* Articulação para envio de fuzis e armamento pesado a Rondônia;* Coordenação de ataques incendiários a empresas de internet no estado.
As ações visavam intimidar empresários e reforçar o domínio territorial da facção, mas foram neutralizadas pela atuação preventiva da Polícia Civil.
Ação integrada
A operação contou ainda com apoio do Comando Regional de Policiamento III da Polícia Militar, reforçando a importância da cooperação entre forças de segurança no enfrentamento ao crime organizado.
Marco histórico para a segurança pública
A Polícia Civil destaca que a megaoperação representa um marco para a segurança pública rondoniense, evidenciando:
* Capacidade de articulação interestadual,* Identificação de lideranças nacionais,
* Desarticulação de estruturas hierarquizadas de facções.
Segundo o Delegado-Geral, a instituição seguirá investindo em inteligência policial, capacitação e integração com outros órgãos para impedir o avanço de organizações criminosas no estado.
As investigações continuam, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias.