
Mesmo quando não parece doce, o alimento pode conter grandes quantidades de açúcar adicionado, um ingrediente ligado à obesidade, diabetes e outras doenças crônicas, alerta a nutricionista Cintya Bassi, do São Cristóvão Saúde
Porto Velho, RO - A maioria das pessoas consome mais açúcar do que imagina. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão diária ideal deve ficar abaixo de 5% das calorias totais, sendo o limite máximo 10%. Para um adulto que consome 2 mil calorias por dia, isso representa 50 g de açúcar — cerca de 10 colheres de chá.
“Qualquer quantidade acima desse valor já é considerada excessiva e pode aumentar o risco de obesidade, diabetes tipo 2, cáries e doenças cardíacas”, explica Cintya Bassi, coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde.
Como o açúcar age no organismo
De acordo com Cintya, o açúcar é digerido rapidamente, elevando a glicose no sangue e estimulando a liberação de insulina, hormônio que leva essa glicose para dentro das células.
“Quando esse ciclo se repete constantemente, o corpo pode desenvolver resistência à insulina, um passo importante para o surgimento do diabetes tipo 2”, afirma.
O excesso também:
* é transformado em gordura, acumulando-se no fígado e outras regiões;* aumenta processos inflamatórios;
* intensifica a produção de radicais livres, que danificam células;
* ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e podendo gerar dependência.
Açúcar natural x açúcar adicionado
Há duas categorias principais:
Açúcar natural
Presente em frutas, leite e alguns vegetais.
É absorvido mais lentamente porque vem acompanhado de fibras, vitaminas e minerais.
Açúcar adicionado
É o açúcar colocado durante o preparo de alimentos industrializados ou receitas caseiras.
Causa picos rápidos de glicose e insulina e não traz benefícios nutricionais.
A OMS recomenda:
* Até 5% das calorias diárias provenientes de açúcares adicionados (ideal).* Máximo de 10%.
* Crianças até 2 anos: não devem consumir açúcar adicionado.
* Após 2 anos: recomendação de até 25 g/dia — semelhante ao limite para mulheres adultas.
* Homens: limite de 36 g/dia.
Alimentos com mais açúcar (por 100 g ou 100 ml)
Produto Açúcar Balas e doces 60–70 g Geleias/compotas 40–60 g Chocolate ao leite 50–60 g Bolo industrializado 25–30 g Cereais açucarados 20–30 g Sorvete 20–30 g Biscoito recheado 20–30 g Molho barbecue 20–30 g Iogurte adoçado 10–15 g Refrigerante 10–12 g
| Produto | Açúcar |
|---|---|
| Balas e doces | 60–70 g |
| Geleias/compotas | 40–60 g |
| Chocolate ao leite | 50–60 g |
| Bolo industrializado | 25–30 g |
| Cereais açucarados | 20–30 g |
| Sorvete | 20–30 g |
| Biscoito recheado | 20–30 g |
| Molho barbecue | 20–30 g |
| Iogurte adoçado | 10–15 g |
| Refrigerante | 10–12 g |
Até alimentos que não parecem doces podem conter grandes quantidades.
Como identificar açúcar no rótulo
“Desconfie de palavras terminadas em ‘-ose’, como frutose, sacarose e dextrose, além de termos como ‘xarope’, ‘maltodextrina’ ou ‘mel’”, orienta Cintya.
Desde 2022, os rótulos devem indicar açúcares adicionados de forma separada, facilitando a leitura.
Entre os nomes mais comuns estão:
açúcar refinado, mascavo, demerara, cristal, invertido, de coco, xarope de glicose, de milho, de malte, agave, melaço, melado, maltodextrina, frutose, glicose, lactose, sacarose, maltose e galactose.
Cintya reforça:
“Ler os rótulos é fundamental. Muitos produtos considerados ‘saudáveis’ escondem grandes quantidades de açúcar. O ideal é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e deixar doces para ocasiões especiais”.
Sobre o Grupo São Cristóvão Saúde
Administrado pela Associação de Beneficência e Filantropia São Cristóvão, o grupo possui 10 unidades de negócio, incluindo hospital e maternidade, plano de saúde, centros ambulatoriais, laboratório, centros especializados e o Instituto de Ensino e Pesquisa Dona Cica.
Com 114 anos de atuação em 2025, o complexo conta com 330 leitos e oito centros ambulatoriais, oferecendo atendimento a mais de 150 mil vidas do plano de saúde e 28 mil do plano odontológico.
O grupo é presidido pelo Engº Valdir Pereira Ventura, que está à frente das decisões institucionais desde 2007.