Por Juvenil Coelho
Porto Velho, RO - Este sempre foi — e certamente continuará sendo — o maior sonho dos atletas mais aplicados: produzir jogadas magistrais que embelezem os espetáculos, alegrem as torcidas e os consagrem como estrelas. Em especial, os grandes expoentes do futebol, a exemplo de Mané Garrincha e tantos outros, que cultivaram a arte desportiva com ousadia e refinado perfeccionismo. Tudo em nome da glória e do resplandecer de suas habilidades prediletas. Seja nos dribles, nos chutes colocados na medida ou na ginga desconcertante, esses inventores estão sempre a arrancar suspiros de seus adeptos e espectadores.
Em muitas outras modalidades esportivas de disputa, as bravatas também giram em torno de quem será o mais distinto, segundo a avaliação dos aficionados e de seus próprios pares.
Não surpreende, portanto, que, na esteira da apoteótica política, a busca por “boas jogadas” seja uma constante na mente de seus protagonistas, que se utilizam dos espaços da grande mídia para se autopromoverem por meio de conquistas e agraciamentos.
Numa breve reflexão, percebe-se que o próprio presidente da República tem sido campeão em jogar para a plateia, na tentativa de conquistar pontos valiosos junto ao eleitorado, mirando a reeleição e os votos necessários para alcançar o pódio mais alto da República. Em uma cruzada paralela, surge repentinamente outro jogador do cenário político, com ares de atleta de ponta, mas com a cabeça de oportunista.
Trata-se do mirabolante “Zero Um”, filho do ex-presidente Bolsonaro. Em sua bagagem, carrega um diploma de senador e o título de herdeiro-mor do espólio eleitoral de seu genitor. Seu propósito maior é ascender a rampa do Planalto na eleição do próximo ano, na ferrenha disputa pela cadeira mais alta do país — a mesma que já foi ocupada por seu pai.
De forma alguma é preciso ser um estrategista renomado, tampouco profundo conhecedor das artimanhas políticas, para perceber que essa ousada jogada não passa de um blefe do simplório senador. Em termos futebolísticos, ele tenta marcar um gol de bicicleta nos últimos minutos de uma partida tensa — jogada que eternizou o lendário vascaíno Leônidas da Silva.
É evidente que jogadas difíceis, especialmente na reta final do jogo, são carregadas de riscos. As chances de não resultarem em gol são muito maiores: algumas batem na trave, outras saem pela tangente e, assim, o alvo não é alcançado. Dessa forma, o jovem Flávio pode muito bem estar dando um tiro no próprio pé. E aí não haverá anistia, nem reeleição ao Senado, tampouco chances reais de enfrentar o torneiro petista.
A conclusão é simples: muitos jogam, mas poucos vencem na arena global. De peladeiros, o universo está cheio; os verdadeiros mestres geniais são raros.
O autor é jornalista e diretor executivo do Instituto Phoenix de Pesquisa.