O acordo envolve Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, tem validade até 2040 e conta com garantia da União. Na prática, isso significa que o governo federal dá respaldo à operação, reduzindo o risco para as instituições financeiras.
O financiamento foi autorizado pelo Tesouro Nacional na semana passada e integra o plano de reestruturação dos Correios, após a apresentação de propostas por instituições bancárias. Com a garantia concedida, o Tesouro se compromete a honrar os pagamentos caso a estatal se torne inadimplente.
No início de dezembro, o Tesouro rejeitou uma proposta de R$ 20 bilhões negociada pelos Correios com um consórcio de bancos. O comitê aceitava uma taxa de juros de até 18% ao ano, mas a oferta previa juros de 20%, acima do limite permitido para operações com garantia da União.
Ao aprovar o empréstimo de R$ 12 bilhões, o Tesouro Nacional informou que a operação respeitou o teto de juros estabelecido, além de atender aos critérios de avaliação da capacidade de pagamento exigidos para estatais com plano de reequilíbrio financeiro aprovado pelas instâncias competentes.
Crise financeira dos Correios
Os Correios acumulam prejuízos há 12 trimestres consecutivos, com resultados negativos desde 2022. Apenas no primeiro semestre de 2025, o prejuízo chegou a R$ 4,36 bilhões — o maior da história da empresa.
Diante do agravamento da situação, a estatal e o governo federal passaram a discutir, a partir de janeiro deste ano, medidas para reequilibrar as contas. Entre os principais fatores apontados para a crise estão:
* forte aumento dos gastos com pessoal;* mudanças no programa Remessa Conforme, que reduziram receitas com encomendas internacionais;
* queda acentuada no fluxo de caixa;
* crescimento das despesas com precatórios;
* operação deficitária de cerca de 85% das agências.
Para tentar reverter o cenário, a nova gestão aprovou um plano de reestruturação que inclui corte de custos, Programa de Demissão Voluntária (PDV), venda de imóveis ociosos, renegociação de contratos, redução da jornada de trabalho, mudanças nos planos de saúde, retorno ao trabalho presencial e lançamento de um marketplace próprio.
Debate sobre privatização
Nos bastidores, a crise reacendeu o debate sobre a privatização dos Correios como alternativa ao modelo atual. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou qualquer possibilidade de privatização da estatal.
“Enquanto eu for presidente, não vai ter privatização. Pode ter parceria, economia mista, mas privatização não vai ter”, afirmou.
O presidente atribuiu as dificuldades financeiras a uma possível “gestão equivocada” e destacou a importância da empresa para o país.
“Uma empresa pública não pode ser a rainha do prejuízo. Trocamos o presidente dos Correios, chamamos a ministra Esther e o ministro Rui, colocamos alguém com muita expertise e responsabilidade e vamos tomar todas as medidas necessárias”, declarou.
Fonte: G1