Rondônia, 31 de março de 2026
"Porto Velho afunda em alagamentos porque foi seduzida por soluções mágicas para problemas centenários”, afirma Samuel Costa

"Porto Velho afunda em alagamentos porque foi seduzida por soluções mágicas para problemas centenários”, afirma Samuel Costa

Costa reforça que somente a união entre responsabilidade técnica, investimentos contínuos e transparência pode transformar gradualmente a situação dos bairros mais atingidos

Porto Velho, RO - Os recorrentes alagamentos em Porto Velho voltaram ao centro das discussões públicas após declarações contundentes do advogado e professor Samuel Costa, que chamou atenção para o ciclo de frustrações enfrentado pela população ao confiar, repetidamente, em promessas eleitorais que desconsideram a complexidade estrutural da capital.

Segundo Costa, Porto Velho foi “seduzida por uma promessa vazia”, construída por políticos tradicionais que, em período eleitoral, recorrem a discursos simplistas e vídeos superficiais para apresentar como fácil aquilo que, na prática, exige décadas de planejamento e investimentos bilionários.

“Na hora de ganhar a eleição, políticos profissionais, velhacos e populistas aparecem com soluções mágicas para problemas centenários. Explicam em vídeos de um minuto o que eles mesmos nunca tiveram capacidade de executar”, criticou.


Ignorância induzida e a crença nas soluções fáceis

Costa aponta que parte dos equívocos da população é resultado de ignorância induzida, alimentada por narrativas que fazem parecer possível resolver um problema histórico com ações isoladas ou obras rápidas. Ele lembra que cada novo recapeamento mal planejado agrava ainda mais o cenário.

“A cada recapeamento mal feito, o solo fica mais impermeabilizado. Some isso às regiões naturalmente pantanosas e à ausência de uma verdadeira macrodrenagem, e o resultado é o caos que vemos ano após ano”, explica.


Cidade plana, chuvas intensas e infraestrutura insuficiente

Porto Velho enfrenta precipitações que podem ultrapassar 100 mm em poucas horas, chegando a 150 mm ou mais. Costa observa que, em qualquer cidade do mundo, volumes assim causam transtornos. O problema, em Porto Velho, é que a falta histórica de planejamento urbano transforma cada temporal em um cenário de prejuízos e desespero.

Ele considera desonesta a promessa de acabar com os alagamentos:

“Nenhum gestor sério promete o impossível. O que se pode — e deve — fazer é reduzir danos com planejamento, obras estruturantes e continuidade administrativa. Mas não com mágicas eleitorais.”


A distância entre a realidade e o discurso político

Com o término do período eleitoral, Samuel Costa avalia que é hora de a população entender que soluções imediatas não existem e que Porto Velho tem pagado um preço alto por acreditar em narrativas populistas e promessas sem lastro técnico.

“O povo sofre porque foi enganado. Sofre porque acreditou na facilidade apresentada por quem nunca estudou o problema ou nunca quis resolvê-lo. Porto Velho precisa de verdade, não de espetáculo.”


Entre promessas e realidade, o desafio permanece

Assim como outros especialistas, Costa reforça que somente a combinação entre responsabilidade técnica, investimentos contínuos e transparência na gestão pública poderá transformar gradualmente o cenário dos bairros mais atingidos.

Enquanto isso, Porto Velho segue convivendo com uma realidade que muitos preferem ignorar: os alagamentos não são apenas resultado da chuva, mas principalmente de décadas de abandono, improviso e discursos políticos feitos para ganhar votos — não para resolver problemas.

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