Rondônia, 31 de março de 2026
Brasil tem melhores índices de renda, desigualdade e pobreza da série histórica, diz Ipea

Brasil tem melhores índices de renda, desigualdade e pobreza da série histórica, diz Ipea

Ipea aponta avanço após crises e retomada do trabalho e da assistência

© Marcello Casal JrAgência Brasil

Porto Velho, RO - O Brasil registrou em 2024 os melhores resultados de renda, desigualdade e pobreza desde o início da série histórica em 1995, segundo nota técnica divulgada nesta terça-feira (25) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados do IBGE.

Ao longo de 30 anos, a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70%, enquanto o coeficiente de Gini — que mede a concentração de renda — caiu quase 18%. A extrema pobreza recuou de 25% para menos de 5%.

O avanço, porém, veio em ciclos: houve forte melhora entre 2003 e 2014, estagnação e retrocesso entre 2014 e 2021, e retomada acelerada entre 2021 e 2024. Após atingir o menor nível em uma década, a renda per capita cresceu mais de 25% reais nos últimos três anos, maior alta desde o Plano Real.

Segundo os pesquisadores Marcos Dantas Hecksher e Pedro Herculano Souza, a melhora recente resulta principalmente do aquecimento do mercado de trabalho e da expansão das transferências de renda, responsáveis por quase metade da redução da desigualdade no período. Programas como Bolsa Família, BPC, Auxílio Brasil e Auxílio Emergencial tiveram impacto expressivo após 2020.

Com o fim do ciclo de expansão dos benefícios, o peso do mercado de trabalho aumentou em 2023 e 2024. Para os autores, combater a desigualdade exige ações amplas, incluindo melhor focalização dos gastos sociais, reforma tributária mais progressiva e redução da despesa com juros da dívida.

Apesar do recorde histórico, 4,8% dos brasileiros ainda viviam em extrema pobreza em 2024 e 26,8% abaixo da linha de pobreza. Mais de 60% da queda na extrema pobreza desde 2021 veio da melhora distributiva. O estudo alerta que levantamentos domiciliares podem subestimar rendimentos mais altos, recomendando cautela na interpretação.

A nota conclui que o pós-pandemia representa uma mudança estrutural: pela primeira vez em anos, renda, desigualdade e pobreza melhoraram simultaneamente e de forma acelerada.


Fonte: Agência Brasil

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