Rondônia, 31 de março de 2026
‘Todos da organização criminosa sabiam que não houve fraude eleitoral’, diz PGR

‘Todos da organização criminosa sabiam que não houve fraude eleitoral’, diz PGR

Formado por 12 pessoas, núcleo 3 é acusado de planejar e articular ações táticas para viabilizar o plano golpista


Subprocuradora-Geral da República, Cláudia Marques, pede que acusados virem réusRosinei Coutinho/STF

Porto Velho, RO - Durante o julgamento da denúncia contra os 12 acusados de integrar o chamado núcleo 3 da tentativa de golpe de Estado, a subprocuradora-Geral da República, Cláudia Sampaio Marques, que representou o procurador-geral Paulo Gonet, reforçou nesta terça-feira (20) o pedido para que todos os denunciados se tornem réus e respondam formalmente a uma ação penal no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Especificamente em relação ao núcleo 3, a denúncia descreve — com base nos elementos colhidos na investigação — que seus integrantes, em sua quase totalidade militares, apoiaram e agiram efetivamente para viabilizar o golpe de Estado. Todos os que integravam a organização criminosa, desde o núcleo 1 até o núcleo 4, sabiam que não houve fraude eleitoral”, afirmou a subprocuradora.

“A denúncia descreveu, em todos os detalhes, todo o desenrolar de fatos, que tiveram início em meados de novembro - com a reunião na residência do General Braga Netto - para o planejamento das ações de neutralização de autoridades”, acrescentou.

A partir desse encontro, segundo a PGR, o grupo começou a se movimentar para comprar celulares, nomear os alvos. “Em poder dos acusados, foram encontrados documentos contendo todo o detalhamento das etapas a serem seguidas para a concretização do golpe de Estado e também de como agir depois do golpe para legitimar a medida interna e externamente.”

Os envolvidos - 11 militares e 1 policial federal - são acusados de planejar e articular ações táticas para viabilizar o golpe, incluindo pressão sobre o alto comando das Forças Armadas para adesão ao movimento antidemocrático.

“Coube a esse núcleo a execução das ações coercitivas. Assim como o núcleo 4 da organização, tratava-se de um núcleo operacional. O núcleo 4 ficou responsável pelos ataques virtuais, a cargo do projeto do grupo, enquanto este ficou incumbido das ações de campo, que envolviam o uso de violência”, afirmou Cláudia.


Entre os crimes apontados pela PGR estão: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Este é o último grupo de investigados no inquérito que apura a organização e execução do plano golpista frustrado em 2022.

Veja o vídeo abaixo:

 

A expectativa é de que a denúncia contra o núcleo 3 também seja acolhida por unanimidade, conforme o padrão adotado pela Corte nas decisões anteriores. Com a finalização do julgamento da denúncia contra os quatro núcleos, só vai faltar a apreciação da denúncia contra Paulo Figueiredo, empresário e neto do ex-ditador João Figueiredo, que ainda sem data definida.

Denunciados

    * Bernardo Romão Correa Netto (coronel do Exército, preso na operação Tempus Veritatis);
    * Cleverson Ney Magalhães (tenente-coronel da reserva);
    * Estevam Theophilo (general da reserva e ex-chefe do Comando de Operações Terrestres);
    * Fabrício Moreira de Bastos (coronel);
    * Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel);
    * Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel);
    * Nilton Diniz Rodrigues (general);
    * Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel, ligado ao grupo “kids pretos”);
    * Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel);
    * Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel, citado em discussões sobre minuta golpista);
    * Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel);
    * Wladimir Matos Soares (agente da Polícia Federal).

Núcleos

Este é o quarto e último núcleo denunciado pela PGR no inquérito que investiga a tentativa de golpe. O Supremo já aceitou, por unanimidade, as denúncias contra os núcleos 1, 2 e 4. O núcleo 1 inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados diretos; o núcleo 2 é composto por figuras como o ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques; e o núcleo 4 abrange civis acusados de financiar e apoiar os atos antidemocráticos.

Fonte: R7

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem