Rondônia, 31 de março de 2026
Filho transforma legado do fundador em um gigante da logística

Filho transforma legado do fundador em um gigante da logística

Com uma frota de mais de mil caminhões, a empresa se consolidou no transporte de cargas especiais, investindo em tecnologia, qualificação de motoristas e sustentabilidade

Porto Velho, RO - Quem percorre as estradas brasileiras e observa os caminhões certamente já se deparou com veículos da Transportes Cavalinho. Atualmente, mais de mil caminhões com essa marca cruzam o país todos os dias, transportando cargas que exigem cuidados especiais, como líquidos, combustíveis, produtos químicos e gases. No total, eles percorrem mais de 70 milhões de quilômetros por ano, garantindo o abastecimento e a logística segura para algumas das maiores indústrias do país.

A Cavalinho é uma das principais transportadoras do Brasil. Com sede em Vacaria (RS), filiais em Cubatão, Paulínia e Jundiaí, em São Paulo, Duque de Caxias (RJ), Nova Lima (MG) e Camaçari (BA), além de bases de apoio em outros estados e em países do Mercosul, emprega 2.400 pessoas, incluindo 1.500 motoristas. A empresa conta com uma frota moderna, com idade média de três anos, e é referência em segurança, inovação tecnológica e compromisso com a sustentabilidade.

A transportadora nasceu do trabalho e da visão empreendedora de Ivanor Guilherme Ossani, que começou a atuar como caminhoneiro em 1958. Natural de Lagoa Vermelha, Rio Grande do Sul, ele seguiu uma trajetória comum no setor de transportes: trabalhou duro, comprou seu próprio caminhão, depois um segundo veículo para operar com motorista contratado e foi crescendo, até fundar a empresa em 1974, então com o nome de Transportes Ossani. Nos anos 1980, adotou o novo nome e, já com 15 caminhões, deixou de dirigir para focar na gestão do negócio.

No início, a empresa operava apenas com os chamados cavalos mecânicos, rebocando carretas de outras transportadoras, origem do nome Cavalinho. Paulo Ossani, filho de Ivanor e atual CEO da empresa, cresceu acompanhando o trabalho do pai. “Minha história com caminhão começa literalmente no dia em que nasci. Meu pai foi me buscar na maternidade de caminhão”, relembra. Desde pequeno, ele acompanhava o pai em viagens durante as férias escolares, observando de perto toda a operação.

Ainda nos anos 1980, a empresa tomou a decisão de se especializar no transporte de produtos químicos a granel, um segmento que exige padrões elevados de segurança e eficiência. “Identificamos que transportar produtos perigosos exigia um alto grau de responsabilidade, e esse foi o caminho que escolhemos trilhar”, conta Paulo.

Crescimento da empresa

Na década de 1990, a Cavalinho começou a oferecer o serviço completo, com cavalo e carreta, mas ainda como terceirizada. Para isso, investiu na compra de carretas específicas para cada tipo de carga transportada. Em 1999, a empresa enfrentou seu pior momento, com a morte repentina e prematura de Ivanor, vítima de um ataque cardíaco aos 61 anos.

Na época, a transportadora contava com uma frota de 120 caminhões. Com a morte do pai, Paulo reuniu as irmãs para discutir o futuro da empresa. “Nós não podíamos ter 119 caminhões. Precisávamos manter 120 ou até aumentar. Meu pai nunca admitiria ver a empresa encolher”, afirma. A filosofia de Ivanor, de nunca abrir mão do que foi conquistado, guiou os filhos na condução dos negócios. Determinados a honrar esse legado, arregaçaram as mangas e seguiram trabalhando para expandir a transportadora, garantindo sua continuidade e crescimento.


A partir dos anos 2000, a Cavalinho passou a atuar diretamente com grandes embarcadores, sem depender de intermediação de outras transportadoras. E o crescimento acelerou. “Sempre tivemos crescimento anual acima de dois dígitos”, observa o CEO. A empresa é especializada no transporte de cargas líquidas químicas, lubrificantes, combustíveis, bebidas, gases e gases do ar, atendendo grandes embarcadores em todo o Brasil e no Mercosul. Entre seus principais clientes estão gigantes da indústria química, como Solvay, Raízen, Braskem, Oxiteno, Petronas, Ipiranga, White Martins, Basf e Ultragaz, além da FEMSA (Coca-Cola).

A empresa investe em tecnologia para garantir segurança e eficiência, com uma frota equipada com telemetria avançada, câmeras de fadiga e sistemas de gestão de jornada. “Nosso centro de controle operacional monitora as viagens 24 horas por dia, garantindo que cada quilômetro seja percorrido com segurança e eficiência”, explica Paulo.

A capacitação dos motoristas também é uma prioridade. Em 2003, a empresa criou o Centronor, um centro de formação de condutores que já treinou mais de 16 mil profissionais. “Treinar motoristas não é apenas ensinar a dirigir, é educar para que tenham consciência da importância do seu papel na segurança e na eficiência do transporte”, enfatiza o CEO. Além disso, a empresa implementa protocolos rigorosos para o gerenciamento de risco e análise preditiva para otimizar as operações.

Sustentabilidade no transporte

Um dos principais destaques da empresa é a responsabilidade ambiental. O CEO da Cavalinho reconhece o impacto do transporte rodoviário nas emissões de poluentes e vê a necessidade de atuar nesse sentido. “O caminhão é um grande potencial poluente. Sabemos disso e assumimos a responsabilidade de buscar soluções para reduzir e compensar esse impacto”, afirma.

A partir de 2010, a transportadora iniciou um processo de análise sobre sua pegada de carbono, buscando compreender a quantidade de emissões lançadas na atmosfera e formas de mitigar esse impacto. O primeiro passo foi a realização de um inventário de emissões. Durante esse levantamento, foram identificadas as principais fontes poluentes, com destaque para o consumo de combustível, seguido pelo uso de insumos como óleo, graxa, pneus e lubrificantes. Com base nesses dados, a empresa começou a adotar medidas para reduzir o consumo de recursos e otimizar sua eficiência energética.

Diante da crescente preocupação global com a sustentabilidade, a Cavalinho decidiu ir além da simples redução de emissões e passou a investir em compensação ambiental. Como parte dessa estratégia, adquiriu duas Áreas de Preservação Permanente (APPS) na Amazônia, totalizando 41.500 hectares de mata nativa. Nessas regiões, além da preservação ambiental, a Cavalinho apoia uma comunidade local de aproximadamente 200 pessoas, oferecendo suporte financeiro, infraestrutura e acompanhamento de qualidade de vida.

Hoje, a empresa neutraliza 100% de suas emissões de carbono e ainda mantém uma reserva excedente de cerca de 70%, garantindo uma margem para futuras expansões e consolidando seu compromisso com um transporte mais sustentável.

A empresa também possui caminhões movidos a gás natural e biometano, menos poluentes, e adota outras medidas de conservação ambiental, como a utilização de água de reuso na limpeza de veículos. “A transição energética ainda tem desafios, mas acreditamos que será um diferencial competitivo. No futuro, o consumidor vai exigir produtos que respeitem o meio ambiente”, projeta o CEO.

O crescimento da Cavalinho sempre foi baseado em uma estratégia financeira cautelosa. Diferente de muitas transportadoras que operam com alto endividamento, a empresa optou por um modelo mais seguro. “Nossa gestão financeira é equilibrada, e isso garante nossa sustentabilidade a longo prazo”, reforça Paulo, que é cliente da XP Inc. desde o começo de 2023, e tem utilizado a plataforma de investimentos como um parceiro estratégico para gestão de caixa de curto prazo. “Nosso objetivo é manter a consistência e a qualidade em nossas operações. Foi assim que crescemos e é assim que continuaremos nossa trajetória”, conclui o CEO.

Fonte: Infomoney

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