Vacina contra o HIV, que estava em fase avançada de pesquisa, falha nos testes

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Vacina contra o HIV, que estava em fase avançada de pesquisa, falha nos testes


Derrota prejudica chance de imunizante entre três e cinco anos, dizem especialistas; dezenas de vacinas contra o vírus causador da aids foram testadas e descartadas nas últimas décadas


Porto Velho, RO - 
A única vacina contra o HIV, vírus causador da aids, que ainda estava sendo testada em testes clínicos em estágio avançado, provou ser ineficaz, anunciou a farmacêutica Jansen na quarta-feira, 18. Outra decepção em um campo há muito marcado pelo fracasso.

Dezenas de vacinas candidatas contra o HIV foram testadas e descartadas nas últimas décadas. Esse fracasso compromete a possibilidade de ter uma vacina no prazo entre três a cinco anos, disseram especialistas. Ainda assim, outras opções em testes em estágio inicial podem fornecer um poderoso baluarte contra o HIV.

A notícia é “decepcionante, mas não é o fim do esforço para desenvolver uma vacina”, disse Anthony Fauci, que liderou o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas até dezembro, em entrevista. “Existem outras abordagens estratégicas.”

Um estudo em andamento na África Oriental e Austral , chamado PrEPVacc, está avaliando uma combinação de vacinas experimentais contra o HIV e medicamentos preventivos. Os cientistas avançaram no desenvolvimento de anticorpos poderosos que podem neutralizar o vírus. E eles estão testando novas tecnologias de vacinas, incluindo mRNA.

Ainda assim, a perda do mais recente candidato ressalta os desafios de desenvolver uma vacina para um adversário tão astuto quanto o HIV. Quatro décadas após sua descoberta, o vírus ainda infecta cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano e mata cerca de 650 mil.

Para as pessoas em nações mais ricas, o HIV não é a sentença de morte que já foi. Drogas poderosas podem suprimir o vírus em indivíduos infectados. Há várias opções disponíveis para prevenir a infecção: pílulas orais e injeções administradas a cada dois meses já são aprovadas nos Estados Unidos, por exemplo, e uma injeção que só precisaria ser administrada a cada seis meses está em fase final de testes.

Mas esses medicamentos devem ser tomados pelo resto da vida do paciente e muitas vezes são inacessíveis para aqueles que mais precisam deles. Uma vacina seria a maneira ideal de impedir o vírus.

“A modalidade de prevenção definitiva para qualquer infecção, particularmente infecção viral, é uma vacina segura e eficaz”, disse Fauci. “Essa é a razão pela qual o campo continuará a realizar pesquisas”.
Vacina que se mostrou ineficaz contra HIV era da Janssen, que faz parte da Johnson & Johnson Foto: Brendan McDermid/Reuters

O teste que agora termina, chamado Mosaico, começou em 2019 e foi liderado pela Janssen, que faz parte da Johnson & Johnson. O estudo contou com 3,9 mil homens cisgênero (aqueles que sempre se identificaram como homens) e transgêneros que fazem sexo com homens cisgêneros e transgêneros, em mais de 50 locais em nove países da América do Norte, América do Sul e Europa.

A vacina continha um mosaico de componentes destinados a atingir vários subtipos diferentes de HIV presentes em todo o mundo. Mas a resposta imune que provocou contra o vírus não incluiu quantidades significativas dos chamados anticorpos neutralizantes, considerados as armas mais poderosas contra a infecção.

Embora o fracasso do teste não signifique o fim da abordagem em mosaico, ele sinaliza que uma vacina bem-sucedida deve estimular o corpo a produzir anticorpos amplamente neutralizantes, disse Fauci.

Após revisar os dados iniciais do estudo, um conselho independente de monitoramento de dados e segurança concluiu que, embora a vacina fosse segura, ela não prevenia mais infecções por HIV do que um placebo. O conselho recomendou que a empresa interrompesse o teste e informasse os participantes.

O resultado não surpreendeu totalmente os especialistas, porque um estudo da mesma vacina, chamado Imbokodo, foi interrompido em 2021. Esse ensaio testou a vacina em mulheres cisgênero em cinco países da África subsaariana.


Fonte: Estadão

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