Rondônia, 31 de março de 2026
Ministro que usou orçamento secreto para benefício próprio foi indicado por consórcio do Centrão

Ministro que usou orçamento secreto para benefício próprio foi indicado por consórcio do Centrão

Grupo político no entorno de Juscelino Filho inclui desde o senador Davi Alcolumbre à deputada Danielle Cunha, filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha; grupo já emplacou o engenheiro Wilson Diniz Wellisch para uma a Secretaria de Radiodifusão, uma das principais da pasta

Porto Velho, RO - O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, ganhou o cargo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após ser indicado por um consórcio de políticos que incluem o senador Davi Alcolumbre (União-AP), o deputado e pastor Cezinha Madureira (PSD-SP) e até a deputada Danielle Cunha, filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PTB-SP). Com a pasta, Juscelino controla uma verba de R$ 3 bilhões na Esplanada dos Ministérios. Entre os políticos do grupo a explicação é de que ele foi escolhido por “ser um bom menino”.

Lula empossa Juscelino Filho como ministro das Comunicações. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Estadão revelou nesta segunda-feira, 30, que o ministro usou o orçamento secreto para asfaltar uma estrada que passa em frente a oito fazendas dele e da sua família na cidade de Vitorino Freire (MA), onde sua irmã é prefeita. Juscelino construiu uma pista de pouso e um heliponto na sua Fazenda Alegria para uso particular no local. A empresa contratada para fazer a obra é de um conhecido de longa data do ministro, preso no ano passado após ser acusado de fraudar licitações e pagar propina em troca de obras na prefeitura da cidade maranhense.

O ministro é filiado ao União Brasil e foi eleito para o terceiro mandato como deputado federal nas eleições de 2022. El foi um dos últimos ministros a serem anunciadas por Lula durante a transição de governo. O União Brasil brigava pela vaga. A bancada do partido na Câmara queria outros nomes para compor o ministério de Lula, como o líder da sigla na Casa, Elmar Nascimento (BA), ou o deputado Celso Sabino (PA). O PT tentou emplacar o deputado Paulo Teixeira (SP), que acabou sendo alocado no Ministério do Desenvolvimento Agrário.

A indicação de Juscelino não passou pela bancada do partido na Câmara, mas chegou a Lula com o apadrinhamento do senador Davi Alcolumbre (União-AP), líder da legenda no Senado e um dos principais operadores do orçamento secreto no Congresso. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), deu o “ok” para a escolha, de acordo com interlocutores. O ministro foi nomeado para o cargo sem ter experiência na área de Comunicações. Juscelino é médico especialista em radiologia.
Mas não é só Alcolumbre que está por trás do ministro. O nome de Juscelino Filho foi avalizado também pela deputada eleita Danielle Cunha (União-RJ). Ela é filha de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, que tentou voltar à Casa por São Paulo nas eleições, mas foi derrotado. Cunha continua atuando nos bastidores da política em Brasília. Outro político que participou da escolha de Juscelino Filho é o senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado do ministro no Maranhão e também beneficiário do orçamento secreto.

O deputado Cezinha Madureira (PSD-SP) também é padrinho de Juscelino Filho no cargo. Cezinha é um dos expoentes da bancada evangélica e pastor da Igreja Assembleia de Deus Madureira, comandada pelo bispo Samuel Ferreira, a mesma igreja de Cunha. Ele foi aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, coordenou a campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e agora é vice-líder do governo Lula na Câmara. O deputado emplacou um aliado, o engenheiro Wilson Diniz Wellisch, para uma das principais secretarias do ministério, a Secretaria de Radiodifusão, responsável pela concessão de rádio e TV, setor que tanto interessa políticos e o segmento religioso.
Juscelino Filho foi um dos principais beneficiados pelo orçamento secreto nos últimos três anos. Só no ano de 2020, o deputado federal apadrinhou R$ 50 milhões em emendas para municípios do Maranhão, seu reduto eleitoral. Uma das obras é a estrada que passa em frente à Fazenda Alegria, onde o ministro construiu uma pista de pouso e um heliponto para uso particular. No total, oito fazendas dele e da família terão acesso asfaltado graças ao recurso indicado por Juscelino. O União Brasil, partido do ministro, comanda a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), duto do orçamento secreto, de onde saiu o dinheiro da emenda, e quer continuar com o controle da estatal no governo Lula.


Fonte: Estadão

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