“Não existe túnel na fortaleza Forte Príncipe da Beira que leve ao centro do mundo”, afirma historiador


A teoria sobre a suposta cidade de Ratanabá, faz menção ao fosso interno (cisterna) da fortaleza

Porto Velho, RO - Nos últimos dias uma teoria da cidade perdida na Amazônia começou a circular nas mídias sociais, depois que os pesquisadores da Dakila Ecossistema informaram que através de um estudo conseguiram descobrir em Costa Marques, interior do Estado de Rondônia, uma galeria e túneis que interligam a Ratanabá, cidade perdida.

Segundo a teoria a cidade foi à capital do mundo há mais de 450 milhões de anos e fundada pelos Muril, civilização considerada a primeira a habitar a Terra há cerca de 600 milhões de anos. A teoria diz que cidade de Ratanabá conta que os Fortes encontrados na Amazônia são interligados pelos túneis subterrâneos e possuem passagens que ligam ao mundo inteiro.

O Diário da Amazônia conversou com o historiador com especialidade em Arqueologia da Amazônia, Lourismar Barroso, para saber da existência de túneis no Real Príncipe da Beira em Costa Marques, que liga a suposta cidade perdida.


Foram produzidas 5 plantas de formas diferentes do Real Forte Príncipe e nenhuma menciona passagem secreta ou túnel de acesso a algum lugar / Foto: Divulgação

“Não existe qualquer evidência ou possibilidade de haver um túnel que liga o nada a lugar nenhum. Há 22 anos venho me dedicando aos estudos e pesquisas dessa fortificação militar do século XVIII. Tenho pesquisado e estudado várias fortificações do Brasil, todas elas com detalhes em suas construções, algumas podemos dizer que possa ter uma passagem secreta, uma espécie de caminho de fuga, porém, ao Principe da Beira não foi possível tal estrutura”, disse Lourismar.

O pesquisador afirma que foram produzidas 5 plantas de formas diferentes do local e nenhuma menciona passagem secreta ou túnel de acesso a algum lugar. O Brasil teve ao longo de sua história 341 fortificações, desse total existem apenas 109. Desse número 19 fortificações estão sendo estudadas para serem tombadas como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o Príncipe da Beira faz parte desse conjunto arquitetônico.


Real Forte Príncipe da Beira, construído em 1775, é atração turística internacional em Costa Marques / Foto: Divulgação

Segundo o historiador não existe nenhum túnel no Princípe da Beira, a teoria que é mencionado pelo Dakila pesquisa sobre a suposta cidade de Ratanabá, faz menção ao fosso interna (cisterna) da fortaleza. O espaço mede 3,50 de diâmetro com 3,70 de profundidade. A cisterna abastecia a guarnição do forte com água potável.

Quando a cisterna enchia, havia um duto de pedra que servia de ladrei para escoar a água para fora da fortaleza. Esse duto (canal de pedra) é um quadrado de 40 centímetros, não dando possibilidade de passar uma pessoa pelo lugar.

O historiador que há 21 anos vem se dedicando as pesquisas sobre o Real Forte Príncipe da Beira, em busca de documentos raríssimos que foram adormecidos pelo tempo ainda no século XVIII afirma que quando o assunto é ciências e pesquisas acadêmicas o cuidado é redobrado.

“Temos o cuidado de não divulgarmos dados falsos. Isso é muito sério. Possa ser que essa fortaleza que a Dakila pesquisa esteja falando não seja o Príncipe da Beira ou muito menos não esteja em Rondônia. Eu como pesquisador dessa fortificação provo para qualquer pessoa que queira conhecer o local, que nunca existiu e nem vai existir qualquer túnel na fortaleza príncipe da Beira que leva ao centro do mundo”, pontuou.

Fonte: Diário da Amazônia

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