Afundado em R$ 1 bi de dívidas, empresário pode perder megaiate arrematado em leilão de Eike Batista

Porto Velho, RO - Dono de mineradoras, empresas de logística com interesses no agronegócio, o empresário paulista João José de Oliveira Araújo, do Grupo Buritipar, anda enrolado até o pescoço. E o motivo é uma cobrança judicial de R$ 4,7 milhões feita pelo Santander. O débito foi originado em 2020, num empréstimo não quitado. Entre os bens que o banco tenta penhorar no Tribunal de Justiça do Pará está, veja só, um suntuoso iate de Eike Batista comprado por Araújo num leilão da Lava-Jato em 2018.

A embarcação custou R$ 14,4 milhões à Eurotech, empresa que o Santander diz pertencer a Araújo.

São quatro quartos (duas suítes), salas, sauna e espaço para receber 21 passageiros e guardar dois jets ski — tudo no melhor “estilo Eike”. Os advogados do banco destacam que se trata de “um dos iates mais luxuosos do Brasil”.

Além desse ativo, o Santander mira também uma frota de carrões, novos e antigos, mantida por Araújo. As empresas dele detêm modelos da Ferrari, Porsche, Mercedes e McLaren (são 40 veículos, ao todo).

No pedido de penhora, constam ainda duas fazendas e seis terrenos no Pará, além de oito terrenos, uma casa e nove apartamentos em São Paulo (esses últimos nos Jardins). A joia da coroa, junto ao iate e aos automóveis, é um imóvel à beira-mar em Miami.

Mas por que o Santander mira todos esses bens enquanto está atrás de uma dívida enxuta?

Porque Araújo também é alvo de ações movidas por Itaú Unibanco, Bradesco, Citi Brasil, BV e outros credores. As dívidas passam da impressionante marca de R$ 1 bilhão. Enquanto isso, a defesa de Araújo alega que as empresas não conseguem gerar recursos para quitar a pendenga enquanto estão com as contas bloqueadas.

Na última segunda-feira, o desembargador Almicar Guimarães, da 2ª Turma de Direito Privado do Pará, deu prazo de mais 60 dias para que Araújo e o Buritipar busquem acordos judiciais com os bancos, mantendo as execuções paralisadas.

No entanto, não liberou os R$ 21,5 milhões que o grupo diz necessitar para voltar a operar e resolver a confusão. O magistrado quer uma comprovação do cálculo.

Fonte: O GLOBO / Por João Paulo Saconi

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