União Brasil avalia saída de coligação do governador do Rio, Cláudio Castro


Maior partido da base do governador é cortejado pelo PSD, que lançará domingo a pré-candidatura de Felipe Santa Cruz

Porto Velho, RO - Partido com a presença considerada certa pelo governador Cláudio Castro (PL) em sua coligação para a reeleição, o União Brasil vem dando sinais de que pode rumar para outro destino no Rio. A movimentação gera preocupação no Palácio Guanabara, já que a legenda é a maior entre as 16 que apoiam a candidatura.

Enquanto integrantes da sigla manifestam insatisfação e pressionam por mais espaço no governo, o pré-candidato do PSD, Felipe Santa Cruz, que terá o nome lançado formalmente no domingo, organiza uma ofensiva para atrair o União Brasil para o seu arco de alianças. No plano nacional, União Brasil, MDB, PSDB e Podemos discutem eleição interna para candidato ao Planalto

Além do fundo partidário robusto, a agremiação, fruto da fusão entre PSL e DEM, também disponibilizará o maior tempo de propaganda em TV e rádio, e contará com mais candidatos à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e à Câmara, potencializando a busca por votos para o candidato ao governo da chapa. Hoje, o União Brasil está à frente das secretarias estaduais de Transportes e de Ciência e Tecnologia, além de comandar municípios da Baixada Fluminense, casos de São João de Meriti e Belford Roxo.

É justamente a busca por capilaridade eleitoral o motor do interesse de Santa Cruz pelo partido — por ora, PSD e PDT firmaram o compromisso de caminhar juntos. As conversas com o presidente do diretório fluminense do União, o prefeito de Belford Roxo, Waguinho, começaram com o intermédio do advogado da legenda e amigo de Santa Cruz, Eduardo Damian.

Com bom trânsito na sigla, o secretário municipal de Fazenda, Pedro Paulo, teria reforçado a proposta: caberia ao novo partido a indicação de um nome com forte influência na Baixada Fluminense para ocupar a vaga de vice ou mesmo para participar de disputa ao Senado.
“Triângulo eleitoral”

Desta forma, os votos da capital seriam puxados pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, enquanto caberia ao ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) chamar o eleitorado nos municípios de Niterói e São Gonçalo. O indicado da Baixada Fluminense completaria o “triângulo eleitoral” da Região Metropolitana. A avaliação é que, com a vitrine da prefeitura da capital, mais o apoio de município de peso na Baixada e em Niterói, a chapa ganharia musculatura para chegar ao segundo turno contra Castro ou Freixo.

Os apoios no interior seriam articulados em Câmaras municipais e por meio de outras siglas que já foram convidadas a participar da empreitada, como o Cidadania, representado pelo ex-deputado Comte Bittencourt, que foi vice-candidato ao governo em 2018, ao lado de Paes. O PSDB, por meio do secretário estadual de Obras, Max Lemos, também já foi cortejado. O Avante é outra legenda cobiçada pela coligação entre PSD e PDT.

Na avaliação da campanha, Neves, que também foi inicialmente apresentado como pré-candidato ao governo, teria o poder de atrair o eleitorado de Niterói e São Gonçalo, mesmo que opte por se candidatar à Câmara dos Deputados. Em um primeiro momento, pesquisas internas de intenção de votos apontaram que tanto Neves quanto Santa Cruz têm índices semelhantes de popularidade espontânea. No entanto, o pedetista acumularia rejeição maior.
Novas filiações

Por resguardo, o ex-prefeito de Niterói sequer lançou um nome do município para a Câmara. Desta forma, a vaga estaria à disposição no caso de desistência na empreitada para o governo. A equação para atrair o União Brasil, no entanto, ainda precisa ultrapassar barreiras objetivas: caso o ex-governador Anthony Garotinho e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, ambos desafetos de Paes, migrem para a legenda, a articulação tende a se tornar inviável.

Enquanto isso, o PSD vai aproveitar a janela partidária para filiar novos quadros. Os secretários municipais Daniel Soranz, Pedro Paulo, Marcelo Calero, Laura Carneiro, Renan Ferreirinha e Chicão Bulhões vão entrar no partido, assim como os deputados estaduais Bebeto e Átila Nunes — parte do grupo concorrerá à Câmara, parte à Alerj. Já a cantora gospel Shirley Carvalhaes será apresentada como pré-candidata à deputada federal em busca do espólio eleitoral da ex-parlamentar Flordelis, presa pela morte do marido, o pastor Anderson do Carmo.

Fonte: O Globo


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