Projéteis russos atingem prédios residenciais em Kiev, enquanto novas negociações diplomáticas acontecem

Em dia de nova rodada de negociações, Ucrânia e Rússia registram mortes de civis; Moscou diz que no mínimo 20 pessoas moram em região dominada por separatistas

Porto Velho, RO - Mísseis russos atingiram duas áreas residenciais em Kiev nesta segunda-feira, matando no mínimo dois civis. Pouco antes das 5h locais, um projétil atingiu um prédio de apartamentos em Obolon, a 12 km do centro da capital, explodindo janelas, causando um incêndio e matando pelo menos uma pessoa. Horas mais tarde, um míssil russo interceptado por forças ucranianas caiu numa área residencial, também deixando no mínimo um morto.

A Rússia, por sua vez, afirmou que paramilitares ultranacionalistas ucranianos atacaram áreas civis dentro da região de Donetsk, área no Leste da Ucrânia dominada por separatistas pró-Moscou, matando ao menos 20 pessoas.

Enquanto os bombardeios acontecem em várias parte do país e as forças russas registram lentos avanços contra Kiev, uma nova rodada de negociações oficiais entre a Ucrânia e a Rússia acontece nesta segunda-feira por videoconferência.

“As unidades de bombeiros e resgate mais próximas chegaram ao local imediatamente. Ao chegarem, constataram que, em resultado de um projétil de artilharia, a escadaria do 1º ao 3º andar e a fachada do edifício do 1º ao 9º andar estavam parcialmente destruídas, e havia incêndios nos apartamentos do 3º e 4º andares”, disseram os bombeiros ucranianos sobre o ataque em Obolon, afirmando que resgatam quatro pessoas e havia buscas em andamento por outras vítimas.

Maksim Korovii, morador do prédio danificado, disse que se escondeu em um armário depois de ser acordado por sua mãe com fumaça e poeira por toda parte.

— Pensamos que estávamos sendo capturados, que os russos estavam entrando pela porta. Mas estávamos errados. Saímos do apartamento e vimos que a escada não existia mais, tudo estava pegando fogo — disse ele. segurando uma guitarra enquanto tentava recuperar qualquer coisa que pudesse encontrar. — Conseguimos colocar as roupas que tínhamos à mão e fomos indo de varanda em varanda. No final descemos pela entrada do prédio ao lado.


Homem retira sapatos após seu prédio ser destruído por um ataque russo em Kiev, na capital da Ucrânia Foto: ARIS MESSINIS / AFP

Este foi o principal ataque contra Kiev nesta segunda-feira. Horas mais tarde, aconteceu uma grande explosão numa área residencial perto do Parque Kurenivsky, a 6 km do centro da capital. Segundo autoridades ucranianas, tratou-se de um míssil russo interceptado por forças de defesa antiaérea. O prefeito, Vitali Klitschko, disse que a explosão deixou um morto e seis feridos.

Num subúrbio a norte, o aeroporto de Antonov, que desde o começo da guerra registrou diversas batalhas, foi bombardeado por forças russas nesta segunda-feira. Não está clara a extensão dos estragos no aeroporto.

Já o o Ministério da Defesa da Rússia disse que, por volta das 11h30 de Moscou (5h30 de Brasília), um míssil tático com munição de fragmentação disparado "por unidades nacionalistas ucranianas" deixou 20 civis mortos e outras 28 pessoas, incluindo crianças, feridas. "

O uso de tais armas em uma cidade onde não há postos de tiro das Forças Armadas, ou seja, obviamente contra a população civil, é crime de guerra", disse a nota do Ministério da Defesa russo.


O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, visitou soldados feridos em hospital de Kiev Foto: HANDOUT / AFP

Desde o começo da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, 90 crianças morreram, de acordo com dados do gabinete do procurador-geral da Ucrânia. "O maior número de vítimas está nas regiões de Kiev, Kharkiv, Donetsk, Chernihiv, Sumy, Kherson, Mykolayiv e Zhytomyr", afirmou, em comunicado.

De acordo com gabinete da vice-primeira-ministra ucraniana Iryna Vereshchuk, 10 corredores humanitários foram negociados para serem abertos nesta segunda-feira para a retirada de civis. Sete deles ficam em Kiev e os outros três estão em Luhansk, região no Leste. Segundo ela, a Ucrânia tentará mais uma vez enviar um comboio humanitário com alimentos e remédios para a cidade sitiada de Mariupol, sem luz, água e energia há 14 dias.

Autoridades ucranianas também disseram ter estocado comida suficiente para duas semanas, considerando a hipótese de as milhares de forças russas paradas nos arredores da capital desde a primeira semana da guerra finalmente lançarem sua ofensiva.

Negociações em andamento

As negociações entre representantes diplomáticos de Rússia e Ucrânia começaram pouco antes do Brasil. Esta é a quarta rodada oficial de conversas, mas ambos os lados já deram indícios de que falam-se com mais frequência do que anunciam em público, em conversas não divulgadas.

Russos e ucranianos emitiram mensagens otimistas antes desta rodada de negociações, e chegaram a sinalizar no domingo que poderiam chegar a um acordo nos próximos dias. na reunião de hoje, os representantes dos dois países discutirão um cessar-fogo, segundo o negociador ucraniano Mikhailo Podolyak.

— A Rússia já está começando a falar de forma construtiva — disse odolyak em um vídeo na internet — Acho que alcançaremos alguns resultados literalmente em questão de dias.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, pediu que o Ocidente forneça armas a seu país e aplique mais sanções à Rússia para ajudar a evitar que outras nações sejam arrastadas para um conflito mais amplo.

A Ucrânia pediu, repetidamente, a seus aliados que façam mais para ajudá-la a resistir à invasão russa, que começou em 24 de fevereiro. Alguns governos ocidentais temem que isso possa atrair outros países, incluindo membros da Otan, para a guerra.

Irpin: Com apoio de militares estrangeiros, ucranianos tentam deter soldados russos às portas de Kiev

"Para aqueles no exterior com medo de serem 'arrastados para a Terceira Guerra Mundial'. A Ucrânia revida com sucesso. Precisamos de você para nos ajudar a lutar. Forneça-nos todas as armas necessárias", escreveu Kuleba, no Twitter. "Aplique mais sanções à Rússia e isole-a completamente. Ajude a Ucrânia a forçar Putin a fracassar e você evitará uma guerra maior".

Fonte: O Globo

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