Dólar cai a R$ 4,85 e tem menor valor desde o início da pandemia


Moeda americana recuava 1,26% no final da manhã; Bolsa subia 0,48%

Porto Velho, RO - No sexto dia seguido de desvalorização, o dólar recuava nesta quarta-feira (23) à sua menor cotação desde o início da pandemia de Covid-19.

Às 11h25, a moeda americana cedia 1,26%, a R$ 4,85. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, subia 0,48%, a 117.840 pontos.

Caso encerre o dia neste patamar, o dólar terá o menor valor frente ao real desde o fechamento da sessão de 13 de março de 2020, quando estava cotado a R$ 4,8280.

Já a última vez que a divisa terminou o pregão na casa dos R$ 4,85 foi em 8 de junho de 2020. Na ocasião, a cotação era R$ 4,8560.

Nesta terça (23), o dólar comercial fechou em queda de 0,60%, a R$ 4,9140, o menor valor da moeda americana desde 24 de junho do ano passado, quando a cotação do dia foi de R$ 4,9050.

Na véspera, o dólar já tinha caído 1,45%, fechando a sessão a R$ 4,9440 na venda. Até então, o menor valor desde 29 de junho do ano passado.

Ações excessivamente desvalorizadas na Bolsa, a possibilidade de ganhos no setor de commodities devido a ameaças de escassez do petróleo provocadas pela guerra na Ucrânia, além de juros domésticos altos, criam uma combinação que favorece a entrada de dólares no país. O resultado é a queda da taxa de câmbio.

Neste ano, o real apresenta a maior valorização frente à divisa americana, quando comparado a outras moedas de países emergentes. O retorno à vista da moeda brasileira está em quase 13% no acumulado de 2022, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original, reforça que o gatilho para a recente queda do dólar foi o novo choque de preços das commodities devido à invasão da Ucrânia pela Rússia. Ele destaca, porém, que esse "movimento foi exacerbado pela decisão do Banco Central de vincular a alta dos juros à elevação da cotação do petróleo", comentou.

A valorização de commodities produzidas no Brasil já é um fator importante para a queda do dólar, pois essas mercadorias são negociadas em dólar e, naturalmente, representam uma porta de entrada para a moeda estrangeira.

"E se você ainda tem o Copom [Comitê de Política Monetária do Banco Central] dizendo que vai aumentar os juros se o petróleo subir, isso é uma força a mais [para a queda do dólar], já que os juros mais altos tendem a atrair mais capital estrangeiro para a nossa renda fixa", comentou Caruso.

PREÇO DO BARRIL DO PETRÓLEO PASSA DOS US$ 120

Os preços do petróleo saltavam novamente nesta quarta conforme cresciam as preocupações de investidores sobre a redução dos estoques e o consequente aumento dos preços globais de energia.

O barril do petróleo Brent, referência mundial, avançava 5,46%, a US$ 121,79 (R$ 599,87). Com isso, a cotação da commodity se aproximava do US$ 127,98 (R$ 629,68), o maior valor registrado desde 2008.

No mercado de ações dos Estados Unidos, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuavam 0,73%, 0,45% e 0,04%, nessa ordem.

Fonte: Folha de São Paulo


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