Países aumentam cerco econômico a Putin e congelam ativos do Banco Central da Rússia


Reino Unido, Japão, França e Canadá imobilizaram os ativos russos no país; Suíça abandonou sua tradicional neutralidade e também congelou os ativos da Rússia e de Putin

Porto Velho, RO - Depois de os Estados Unidos proibirem, nesta segunda-feira, 28, todas as transações com o Banco Central da Rússia, sanção de efeito imediato e sem precedentes, que limitará a capacidade de Moscou para defender sua moeda e apoiar sua economia, diversos países adotaram medidas semelhantes. Reino Unido, Japão, França e Canadá congelaram ativos do fundo soberano da Rússia.

Até a Suíça abandonou sua tradicional neutralidade e congelou os ativos russos no país. A decisão foi tomada em coordenação com vários aliados de Washington, em resposta à invasão da Ucrânia. “Esta decisão tem o efeito imobilizar todos os ativos que o Banco Central da Rússia tem nos Estados Unidos ou que estão nas mãos de cidadãos americanos”, detalhou um comunicado do Departamento do Tesouro.

Desde a invasão da Ucrânia, os e outras potências começaram a impor sanções à Rússia, mas o governo de Vladimir Putin continuou agindo como se essas punições não importassem. Agora, as sanções internacionais visam cortar ainda mais Moscou da economia global. Analistas explicam que a adesão de outros países, principalmente a China, e a amplitude das sanções são determinantes para definir se Moscou sofrerá o impacto.

“A ação sem precedentes que estamos tomando hoje limitará significativamente a capacidade da Rússia de usar ativos para financiar suas atividades de guerra desestabilizadoras e direcionar os fundos de que Putin e seu círculo próximo dependem para permitir sua invasão da Ucrânia”, disse a secretária do Tesouro Janet Yellen, ao anunciar o congelamento de ativos do Banco Central Russo que são mantidos nos EUA, impondo sanções ao Fundo Russo de Investimento Direto, um fundo soberano administrado por um aliado próximo do presidente Putin.

Como resultado das sanções, os americanos estão impedidos de participar de quaisquer transações envolvendo o Banco Central da Rússia, o Fundo Nacional de Riqueza da Rússia ou o Ministério das Finanças da Rússia.

A resposta econômica tem sido a mais adequada para os países do Ocidente neste momento da guerra. Mas impactar o governo Putin sem impactar outros países não é uma conta fácil e por isso cada passo é tomado com cautela.

“A economia russa não é dependente, isso dificulta o impacto de sanções. O volume de sua dívida externa representa hoje 21% do PIB no máximo. Na maioria dos países ocidentais, esse valor ultrapassa 90%. A Rússia hoje tem um caixa de US$ 643 bilhões. Impor sanções a Argentina ou Brasil, ou Itália, que são economias vinculadas ao endividamento externo, é uma coisa, mas a Rússia está mais preparada”, afirma o professor de Geoeconomia Internacional da ESPM-SP Leonardo Trevisan.


Restos de um foguete são vistos em estrada nos arredores de Kharkiv, na Ucrânia. Rússia inciou ataque ao país nesta madrugada. Foto: Sergey Bobok/AFP - 24/2/2022

O governo Putin passou os últimos anos reforçando suas defesas contra sanções, acumulando US$ 643 bilhões em reservas em moeda estrangeira, em parte desviando suas receitas de petróleo e gás. Novas restrições dos EUA e seus aliados contra a venda de rublos para a Rússia visam, então, minar a capacidade do país de apoiar sua moeda diante de novas sanções ao seu setor financeiro.

Por isso, que o anúncio desta segunda representa uma escalada das sanções dos EUA, embora o Departamento do Tesouro tenha dito que estava fazendo uma isenção para garantir que as transações relacionadas às exportações de energia da Rússia possam continuar.

A cotação do rublo desabou nesta segunda-feira e registrou valores mínimos em relação ao dólar e ao euro na abertura no mercado de câmbio em Moscou. Para defender a economia e a moeda nacional, o Banco Central da Rússia anunciou que dobrará a taxa básica de juros para 20%, o maior patamar desde 2003. As Bolsas europeias operam em forte queda e a Bolsa russa não abrirá.

As operações para defender o rublo, em franca queda, “não serão mais possíveis e a 'fortaleza Rússia' se encontra indefesa”, disse um funcionário de alto escalão do governo americano.

A mesma fonte considerou que essas sanções coordenadas vão deflagrar um “círculo vicioso” para a economia russa e antecipou: “A inflação certamente vai disparar, o poder aquisitivo entrará em colapso, os investimentos entrarão em colapso”.


Russos fazem filas nos caixas eletrônicos do Alfa Bank, em Moscou, após desvalorização do rublo, em 27 de fevereiro Foto: Victor Berzkin/AP

Ação coordenada

O governo da Suíça congelou os ativos da Rússia e também de uma série de líderes russos, como Putin, o premiê Mikhail Mishustin e o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, com efeito imediato. As sanções serão implementadas em coordenação com a UE, com o congelamento de ativos e o veto a novos negócios com os alvos.

O país ainda informou que suspendeu em parte um acordo de 2009 para facilitar vistos a cidadãos da Rússia. Além disso, fechará o espaço aéreo para aeronaves russas a partir desta segunda-feira.

O governo do Reino Unido também anunciou o congelamento de ativos do Banco Central da Rússia “a fim de evitar que o BC russo use reservas estrangeiras para minar o impacto de sanções já impostas” e “limitar a capacidade de o BC russo fazer transações no mercado cambial a fim de apoiar o rublo”, disse o comunicado do governo britânico.

Fonte: Estadão


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