Rondônia, 31 de março de 2026
Lira diz que fará campanha pela reeleição de Bolsonaro por questão de 'coerência partidária'

Lira diz que fará campanha pela reeleição de Bolsonaro por questão de 'coerência partidária'


Presidente da Câmara disse que fará campanha ao chefe do Executivo porque o partido é da base do governo

Porto Velho, RO - A nove meses das eleições, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), anunciou que fará campanha para o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, por uma questão de "coerência partidária".

Em evento do BTG Pactual nesta terça-feira, 22, o deputado destacou que seu partido, o Progressistas, está no comando da Casa Civil, com Ciro Nogueira, e, por isso, ele não fugirá de suas obrigações.

"A gente tem que, nesse momento, separar sempre o presidente da Câmara do deputado. Por exemplo, o presidente do meu partido é o ministro da Casa Civil; hoje ele está licenciado do partido. Eu sou o presidente da Câmara. Então, ele tem uma atribuição e eu tenho outra.

Eu não interfiro nas decisões partidárias e ele não interfere nas decisões da presidência da Câmara", disse Lira no CEO Conference 2022 do BTG Pactual. "Então, lógico que, por questão de coerência, eu não fujo. Se o meu partido é da base do governo, o deputado Arthur Lira, no Estado, por coerência, deverá fazer campanha para o presidente Bolsonaro", completou.

Apesar de ser o principal expoente do Centrão, o Progressistas – partido de Lira e de Ciro Nogueira – está dividido e, no Nordeste, muitos políticos da sigla querem apoiar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hoje favorito nas pesquisas de intenção de voto.

Lira disse esperar que o governo de Bolsonaro "se realinhe" e que as "coisas entrem no eixo". Antes de declarar apoio à reeleição do presidente, o presidente da Câmara prometeu uma agenda "intensa" de votações na Casa, mesmo em ano eleitoral, e defendeu reformas como a administrativa. "Vamos evitar que 2022 seja taxado de um ano de não-funcionamento. Vamos funcionar na plenitude”, insistiu.

Ao ser questionado se concorrerá a um segundo mandato na presidência da Câmara, Lira disse que tem a "possibilidade legal" de disputar novamente o cargo, mas ponderou que isso vai depender da composição do novo Congresso e das articulações políticas.
Semipresidencialismo

O deputado também voltou a defender a troca do sistema de governo do País para o semipresidencialismo. No último dia 10, Lira propôs ao Legislativo um debate sobre o assunto, a partir de março. A ideia é deixar a votação de uma proposta efetiva para 2023, com um novo Congresso eleito, além de estabelecer que a mudança, se aprovada, só entrará em vigor a partir de 2030.

"(Com o semipresidencialismo), evitaríamos essa questão do cai, não cai, dos impeachments, porque, em vez de pensarmos em reformar a lei do impeachment, vamos tentar reformar o nosso sistema político”, disse Lira no evento do BTG Pactual, ao defender a mudança. Na avaliação do deputado, o sistema atual dificulta a realização de reformas estruturantes por causa da instabilidade política.

O semipresidencialismo distingue os papéis de chefe de Estado e chefe de governo, ao contrário do presidencialismo, em que os dois papéis são exercidos pela mesma pessoa. Nesse modelo, o presidente da República continuaria sendo eleito por voto popular, mas a administração ficaria a cargo do primeiro-ministro, que, por sua vez, seria indicado pelo presidente e eleito pelo Congresso.

Ao propor o semipresidencialismo apenas para 2030, Lira tem dito a interlocutores que a proposta afastará o risco de atingir o presidente que governará o País a partir de 2023. Para o presidente da Câmara, isso pode reduzir a oposição de partidos à mudança no sistema de governo.

Ao dizer que haverá um ano “intenso” de votações na Câmara, apesar do calendário eleitoral, Lira afirmou que a reforma administrativa está pronta na comissão especial para ir a plenário. Disse, porém, que faltou mobilização social “de quem paga a conta” para aprovar essa reforma administrativa.

Citou a resistência dos sindicatos do funcionalismo público às mudanças nas regras para os servidores e destacou que é necessário apoio do governo à matéria.

“Faltou um apoio do governo, falo isso claramente”, afirmou Lira ao sugerir que auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (PL) resistem à reforma por receio de perda de votos na eleição. “Nós temos que ter a sensibilidade do momento em que ela (reforma) vai e que ela vem”, observou.

Segundo Lira, a Câmara vai pautar matérias relacionadas ao ambiente de negócios até o dia 15 de julho, quando o foco deverá se voltar para a eleição. “É um ano eleitoral, em que nós vamos ter muito embate. Mas é um ano alegre, um ano da democracia”, disse o presidente da Câmara.

Fonte: Estadão


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