Governo brasileiro discutirá em Moscou cooperação “técnico militar” com Rússia

Encontro acontece em momento de tensão militar na Europa pela possibilidade de a Rússia invadir a Ucrânia, contrariando Estados Unidos e Europa ocidental

Porto Velho, RO - A viagem da comitiva presidente Jair Bolsonaro para a Rússia prevê uma agenda militar bilateral para discussão de uma cooperação técnico militar entre os ministros da Defesa, Braga Neto, e das Relações exteriores, Carlos França, junto com seus similares russos.

O Ministério da Defesa confirmou à CNN que o encontro ocorrerá. Ele acontece em um momento de tensão militar na Europa em razão da possibilidade de a Rússia invadir a Ucrânia contrariando os Estados Unidos e a Europa ocidental.

A Secretaria de Produtos de Defesa da pasta finaliza o que será apresentado. Essa subdivisão do ministério integra a Estratégia Nacional de Defesa e cuida, dentre outras atribuições, da relação comercial das Forças Armadas brasileira com a de outros países.

Esse é um dos quatro principais encontros previstos na viagem presidencial. Além dele, as principais agendas são a de Bolsonaro com o presidente da Rússia, Vladmir Putin. Nele, deverão tratar de aproximação comercial entre os dois países e é provável que abordem a tensão geopolítica na região.

A posição pela neutralidade é a que o Brasil tem defendido já foi manifestada na ONU pelo embaixador do Brasil na entidade. O Brasil defende não apoiar uma intervenção militar nem a utilização de sanções unilaterais fora do arcabouço legal da Carta das Nações Unidas. Há, segundo a visão brasileira, espaço para a diplomacia atuar.

Bolsonaro também terá um encontro com a Duma (Legislativo local); e com empresários. Toda a agenda ainda vem sendo tratada no Palácio do Planalto como prevista, e não confirmada. Isso devido às incertezas com o cenário geopolítico local. De qualquer modo, já há uma equipe do governo brasileiro em Moscou para finalizar as agendas, que devem ocorrer todas no dia 16, próxima quarta-feira.

A comitiva presidencial também não está fechada. Há uma tentativa de diminuir seu tamanho tendo em vista uma demanda até mesmo dos russos de reduzir as chances de contaminação do presidente russo. Segundo fontes do governo, o cordão sanitário em torno de Putin exigido pelo Kremlin é muito restritivo.

Por enquanto, estão na lista mais atualizada os ministros Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (GSI), Braga Neto (Defesa), Carlos França (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia) e Teresa Cristina (Agricultura). Mas ela ainda não está fechada.

Há receio por exemplo da equipe econômica que a ida de Guedes possa atrapalhar o processo de admissão do Brasil na OCDE, principal meta internacional da gestão do ministro. A própria ministra Teresa Cristina contraiu covid e é dúvida.

Integrantes do Palácio do Planalto, contudo, ainda apostam que ela vai. Em especial porque uma comitiva de empresários ligados ao agronegócio brasileiro deverá embarcar, como representantes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados. Eles deverão participar do encontro de Bolsonaro com 18 dirigentes de grandes empresas russas, como a Gazpron, da área de energia, e a Rosatom, de energia atômica.

Fonte: CNN Brasil

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