Presidente do Casaquistão manda 'atirar para matar' manifestantes


Kassim-Jomart Tokaiev disse que 'bandidos' foram os responsáveis ​​pela agitação e devem ser 'destruídos'. Ele agradeceu à Rússia por enviar tropas para ajudar a restabelecer a ordem

Porto Velho, RO - O presidente do Casaquistão, Kassim-Jomart Tokaiev, afirmou nesta sexta, 7, que deu ordem para “atirar para matar sem aviso prévio” qualquer manifestante que proteste contra seu governo, como forma de tentar pôr fim a dois dias de caos e violência após protestos pacíficos terem se transformado em cenas de anarquia.

O líder autoritário da ex-república soviética disse que "bandidos" foram os responsáveis ​​pela agitação e devem ser "destruídos". Ele agradeceu à Rússia por enviar tropas para ajudar a estabelecer a ordem.

“Ouvimos apelos do exterior para que as partes negociem para encontrar uma solução pacífica para os problemas”, disse o presidente Tokayev em um discurso à nação. “Isso é um disparate.”

“Quantas negociações podem haver com criminosos e assassinos”, disse ele. “Eles precisam ser destruídos e isso será feito.”

O governo disse que a ordem foi dada em todo o país, quando as tropas russas se juntaram às forças de segurança do país para conter a agitação generalizada. Tokayev também ofereceu um “agradecimento especial” ao presidente russo Vladimir Putin.

“Ele respondeu ao meu apelo muito prontamente e, o mais importante, calorosamente e de forma amigável”, disse ele.

Desde que os protestos se tornaram violentos, é difícil avaliar os eventos que estão ocorrendo no Casaquistão. Os serviços de Internet e telefone foram cortados e são esporádicos, e há poucos veículos de notícias independentes confiáveis ​​no país. As pessoas contatadas por telefone estão praticamente confinadas em suas casas, agachadas enquanto explosões sacodem as paredes.

As tropas russas, operando ao lado de agências de segurança do Casaquistão, disseram na sexta-feira que recuperaram o controle total do aeroporto de Almaty, a maior cidade do país, de acordo com o Ministério da Defesa russo.

“A segurança do Consulado Geral da Federação Russa localizado na cidade e outras instalações importantes está sendo garantida”, disse um porta-voz do ministério, Igor Konashenkov, segundo a Interfax, uma agência de notícias russa.

A violência da agitação pegou muitos observadores de surpresa. A nação da Ásia Central, rica em petróleo, situada nas estepes do sul da Rússia, sempre foi vista como talvez o país mais estável em uma região volátil.


Soldados russos embarcam em avião militar rumo ao Casaquistão; 'forças de paz' de aliança liderada pela Rússia foram enviadas para ajudar a conter protestos Foto: Collective Security Treaty Organisation/Handout via REUTERS TV

Na maior parte do tempo, desde que conquistou a independência, três décadas atrás, o Casaquistão era governado por um homem: Nursultan Nazarbayev. Mesmo depois de ter renunciado formalmente à presidência, ele manteve o título de “líder da nação” e foi considerado o responsável pelo controle do Estado por meio de seu papel como presidente do conselho de segurança nacional.

Em meio aos distúrbios, Tokayev assumiu publicamente o controle das forças de segurança e afastou Nazarbayev, de 81 anos. Tokayev também pediu ajuda a Moscou quando os protestos saíam de controle.

O esforço liderado pela Rússia para conter os distúrbios, descrito como uma “missão temporária de manutenção da paz” por uma aliança militar que é o equivalente russo da OTAN, será por tempo limitado e terá como objetivo “proteger edifícios governamentais e instalações militares”, disseram autoridades cazaques.

A aliança, chamada Organização do Tratado de Segurança Coletiva, despachou cerca de 2.500 soldados para o Casaquistão, e esse número pode aumentar, de acordo com a agência de notícias estatal russa RIA Novosti. É a primeira vez na história da aliança que sua cláusula de proteção é invocada.

Mesmo com os paraquedistas russos da 45ª brigada Spetsnaz de elite aterrissando em Almaty, tiroteios ocorreram nas ruas tarde da noite, de acordo com um vídeo de um correspondente da BBC no local.

Fonte: Estadão

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