Palmeiras não jogará a final da Libertadores contra o Flamengo. Irá para a guerra


Felipe Melo deixa claro como Abel montará o Palmeiras contra o favorito Flamengo no Uruguai. "Final não se joga. Se ganha." Tática será travar uma batalha física, repetir o que Athletico e Inter fizeram no Maracanã

"Final não se joga. Se ganha."

Porto Velho, RO - Desde o dia 26 de maio de 2004, na Arena AufSchalke, em Gelsenkirchen, na Alemanha, a frase vem sendo repetida infinitas vezes.

Há 17 anos, o português José Mourinho a usou para resumir a conquista da Champions League pelo Porto, diante do favorito Monaco. Seu time já havia derrubado na semifinal, outro favorito, o La Coruña. Nas quartas, o Lyon. E, nas oitavas, o Manchester United.

Seu time foi surpreendendo favoritos atrás de favoritos. Com irritante marcação e objetividade aguda nos contragolpes. E ganhou o título inesquecível para os clubes lusitanos. Aliás, foi a última conquista de Champions de uma equipe portuguesa.


Não foi por acaso que, ontem, Felipe Melo repetiu a mesma frase de José Mourinho, ao ser perguntado pela Folha sobre a decisão da Libertadores, no sábado, contra o Flamengo, em Montevidéu.

"Final não se joga, se ganha", decretou o volante, talvez em ato falho.

A resolução já está tomada, nos treinamentos fechados, secretos, de Abel Ferreira. O Palmeiras vai encarar o Flamengo, favorito e com jogadores mais talentosos, como fez com o Atlético Mineiro.

Assim como José Mourinho, ídolo de Abel Ferreira, o treinador palmeirense se prepara para colocar um "ônibus parado" diante da grande área. Como fez o consagrado português, quando comandou a Inter de Milão, ao eliminar o excepcional Barcelona de Guardiola. E ganhar sua segunda Champions League.


Mourinho. Adepto do futebol combativo, de muita marcação e objetividade. Ídolo de Abel Ferreira INTER DE MILÃO

A ideia de Abel Ferreira é montar a mesma estrutura tática que, de maneira surpreendente, "roubou" a vaga de finalista da Libertadores do Atlético Mineiro, em Belo Horizonte.

Weverton, Mayke (Gabriel Menino), Luan, Gustavo Gómez, Renan e Piquerez; Felipe Melo, Danilo (Zé Rafael) e Raphael Veiga; Dudu e Rony.

Abel Ferreira tem certeza de que esse pode ser o caminho da inédita conquista de duas Libertadores da América no mesmo ano, já que o Palmeiras venceu a de 2020, em janeiro, contra o Santos, por conta da pandemia.

O técnico tem outras duas fortes indicações.

O sucesso do Athletico Paranaense na semifinal da Copa do Brasil. E do Internacional, pelo Brasileiro, também no Maracanã.

O time de Renato Gaúcho caiu na mesma armadilha, montada por Alberto Valentim e Diego Aguirre. Os dois treinadores organizaram seus times para marcar, sobrecarregando as intermediárias, mas desde o campo do time carioca. Para evitar a troca de passes, deixar que o Flamengo se sentisse à vontade. O que foi minando psicologicamente os rubros-negros, que se sentem na obrigação de vencer todos os jogos.


Abel Ferreira é adepto do confronto psicológico. Ele tentou contra Liziero, na final do PaulistaRUBENS CHIRI/SÃO PAULO

Colocaram seus jogadores de velocidade às costas dos veteranos laterais Isla e Filipe Luís. E golearam o Flamengo de Renato Gaúcho. Os paranaenses venceram por 3 a 0, e o time gaúcho por 4 a 0.

Felipe Melo usou a expressão consagrada por José Mourinho com raiva. Porque ele sabe que terá a missão de impregnar os jogadores do Palmeiras da vibração, garra e até truculência, em alguns lances, para se impor diante dos principais atletas rivais.

Ele geralmente escolhe um jogador representativo do time adversário. Nas semifinais contra o Atlético Mineiro, ele tratou de encarar Hulk. Felipe Melo acabou se impondo. Contra o Flamengo, discussões entre o volante e Gabigol são constantes. Ele também não se encolhe diante do uruguaio Arrascaeta, peça fundamental de Renato Gaúcho, poupado para esta final.

Com Abel Ferreira, o Palmeiras não tem o menor constrangimento ou vergonha de jogar atrás, apenas esperando o erro adversário. Foi assim que segurou a vantagem, mesmo perdendo, em casa, para o River Plate, por 2 a 0, por exemplo, na semifinal da Libertadores de 2020.

Na final, contra o Santos, o Palmeiras esteve longe de ser um time ofensivo.

Abel Ferreira acompanha obsessivamente jogos e a movimentação dos times que vai enfrentar. Quanto mais importante a partida, mais ele destrincha o rival, com seus auxiliares. Ele sabe que o Flamengo tem dificuldades defensivas nas bolas aéreas. E na saída para o jogo. Se pressionados, Diego Alves, David Luiz e Rodrigo Caio se complicam.

Cruzamentos estão sendo treinados à exaustão. Assim como marcação por pressão, para ser usada em alguns momentos da partida, como nos primeiros minutos de jogo. Para dar a falsa impressão de que o Palmeiras atacará.


Felipe Melo entrou, na semifinal, para abalar Hulk psicologicamente. ConseguiuREPRODUÇÃO/TWITTER

Outro ponto fundamental para Abel Ferreira, como gosta de fazer José Mourinho, está no confronto físico. Os atletas estão orientados para irem fortes nas divididas. Serem leais, mas tentar vencer psicologicamente os habilidosos jogadores do Flamengo.

E, se possível, desestabilizar os mais irritadiços como Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta. Quando Michael estiver em campo, também não dar tranquilidade ao habilidoso e desequilibrante atacante.

Não por acaso, em 2018, o próprio Felipe Melo cunhou uma significativa frase, contra o mesmo Flamengo, depois de empate por 1 a 1, depois de várias divididas fortíssimas contra Vinícius Júnior.


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"Quer moleza, morde água."

Naquela temporada, o título brasileiro foi palmeirense.

Três anos depois, a mesma estratégia.

O Palmeiras vai para a guerra contra o Flamengo.

Não desleal, mas física, tática, psicológica.

Assim como Mourinho nas suas duas conquistas da Champions League, ele sabe que tem uma ótima equipe. Mas que os adversários são superiores.

A saída é "não jogar".

E sim "ganhar" a final.

É o que o Palmeiras tentará fazer no Uruguai.

Na luta para ser tricampeão da Libertadores.

Diante de uma equipe mais forte, mais talentosa.

E Abel Ferreira entrar de vez na história do clube...


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