ARRANCADÃO: Vítima de acidente entra com pedido de indenização contra prefeito Adailton Fúria

Weliton Souza da Silva durante cirurgia em hospital de Cacoal

Porto Velho, RO - O barbeiro Weliton Souza da Silva, vítima de um grave acidente automobilístico, durante um evento realizado dois meses na chácara, ajuizou uma ação de indenização por danos morais (R$ 60 mil), danos materiais (R$ 20 mil), estéticos (R$ 40 mil), lucros cessantes (R$ 54 mil) e redução de capacidade laborativa (R$ 2,72 milhões a título de pensão vitalícia) contra o prefeito Adailton Fúria. 

O valor atinge o montante de R$ 2.884.800,00 (dois milhões, oitocentos e oitenta e quatro mil, e oitocentos Reais). A ação está tramitando no Juízo a 2ª. Vara Cível de Cacoal sob o número 7011100-85.2021.8.22.0007. A ação também possui como réu o microempresário Ulysses Cassiano Michalzukdos Santos, que teria arrendado a chácara para a realização do evento onde ocorreu o acidente. 

O caso de Weliton ficou bastante conhecido na cidade de Cacoal porque envolve indiretamente o prefeito da cidade. O acidente aconteceu no início no dia 1º de agosto, durante um evento de pancadão, com a presença de dezenas jovens ingerindo bebida alcoólica e, alguns deles, se arriscando em manobras radicais com motocicletas na pista da chácara. 

Foi numa dessas manobras arriscadas que Weliton sofreu um grave acidente, chegando a perder um pedaço do osso de seu tornozelo, que ficou exposto na grama da lateral da pista. O serviço de socorro foi acionado e a vítima levada às pressas ao hospital, onde passou por cirurgia, mas está longe de se recuperar e deverá ficar com sequelas físicas para o resto da vida. 

DENÚNCIA
No pedido feito ao Juízo da 2ª Vara, o Dieisso dos Santos Fonseca, ressalta a responsabilidade civil dos organizadores, que, cobraram entrada de todos os frequentadores, e não exigirem qualquer tipo de equipamento de segurança dos participantes da ´Gincana´ que não assinaram qualquer tipo de Termo de Responsabilidade para se arriscarem na pista. O acidente aconteceu minutos após a liberação da pista e foi filmado por várias pessoas e publicado em rede social. 
“Além disso, não havia qualquer controle de entrada e saída da pista, com quantidade exacerbada de pessoas entrando, além das que ficavam aguardando, uma vez que ficava ao arbítrio de cada um, o que resultou em falta de uma ordem segura e em uma pista lotada e tumultuosa, sem respeito a quantidade predeterminada e a espaço mínimo entre cada um, conforme se verifica dos vídeos”, diz o advogado em um trecho da ação indenizatória. 

OSSO
Um dos trechos mais contundentes do relato feito pelo advogado refere-se ao momento do pós-acidente, quando Weliton perdeu parte do seu tornozelo esquerdo: 
“Vale dizer que esse osso não foi recolhido e levado ao hospital, sendo que não foi entregue aos médicos no hospital. Inclusive, não se sabe qual fim foi dado, mesmo se foi deixado ou não no local, ofendendo todos os tipos de protocolo. Caso o osso tivesse sido colhido por agentes médicos/paramédicos e levado ao hospital para cirurgia, o Requerente teria recuperado um mínimo de movimentação do pé”, disse. 

IRREGULARIDADES
O atendimento dispensado ao paciente também foi indigno. Ele foi levado ao hospital da cidade, mesmo tendo manifestado vontade de ir para outro local, e transportado na carroceria de uma camionete. “O local estava precariamente preparado para emergências, pois, apesar de haver bombeiros civis, estes foram obrigados a realizar o socorro no próprio local, o qual já estava tumultuado, sem qualquer ambulância para atendimento de socorro e realização de transferência do local para o hospital”, narrou o advogado. 

Além do trauma no tornozelo, Weliton teve a tíbia esquerda quebrada, o braço quebrado em quatro locais e com fratura exposta, o outro braço ficou deslocado, o dedo anelar esquerdo quebrado e entortado, o dedo polegar da mão direita amputado, afora os diversos lixamentos e cortes pelo corpo. Ele por pouco não teve a perna direita amputada, fato que só não ocorreu porque ele, em ato de desespero, implorou para que o procedimento não fosse feito. 

ABANDONADO
Após a cirurgia, Weliton teve que enfrentar um novo problema: o abandono por parte dos organizadores do evento, que lhe prometeram, através de terceiros, lhe prestar ajuda necessária. A ´ajuda´ recebida foi apenas uma caixa de medicamentos. Weliton teve que arcar com todas as despesas de seu tratamento. Enquanto isso, na imprensa, era veiculado que ele vinha recebendo apoio em seu tratamento pelas partes envolvidas. 

ATUAL
Atualmente, Weliton depende de amigos e familiares para sua locomoção, cuidados diários e até na higiene corporal, algo impensado para ele, que sempre foi uma pessoa ativa, trabalhadora e amante da vida. As dores físicas do trauma sofrido pelo paciente são diárias, diz o advogado dele que assim definiu seu atual quadro: “Psicologicamente, está destroçado dada a violação a sua integridade psíquica, pois sabe que não poderá se recuperar ao status quo ante, pois as lesões são irreversíveis, e nunca poderá ser totalmente independente (...)”

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