Rogério Caboclo é afastado por 30 dias da presidência da CBF pelo Comitê de Ética


Dirigente é acusado de assédio sexual e moral por uma funcionária da entidade: 
Rogério Caboclo, presidente da CBF Foto: Wilton Junior/Estadão

Porto Velho, RO - O Comitê de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu afastar por 30 dias o presidente Rogério Caboclo. A decisão saiu neste domingo, 6, e a entidade já foi notificada. A situação do dirigente ficou delicada após denúncia de uma funcionária que acusa o mandatário de assédio sexual e moral.

Agora a CBF será comandada pelo vice-presidente mais velho, Antônio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes. Ele ficará no comando durante o período de afastamento e uma reunião na entidade no Rio de Janeiro nesta segunda, 7, com diretores e vice-presidentes, deve definir detalhes dos próximos passos.

"A CBF informa que recebeu na tarde deste domingo, 6, decisão da Comissão de Ética do Futebol Brasileiro suspendendo temporariamente (pelo prazo inicial de 30 dias) o Presidente Rogério Caboclo do exercício de suas funções. Seguindo o Estatuto da entidade, toma posse interinamente, por critério de idade, o vice-presidente Antônio Carlos Nunes de Lima. A decisão é sigilosa e o processo tramitará perante a referida Comissão, com a finalidade de apurar a denúncia apresentada", disse a entidade em nota.

Desde as acusações contra Caboclo, reveladas pelo site globoesporte.com, a situação do cartola ficou difícil e sua posição passou a ser criticada inclusive por patrocinadores da seleção. Ao mesmo tempo, ele costurava apoio para a realização da Copa América no Brasil, com respaldo do governo federal, e entrava em rota de colisão com jogadores da seleção e o técnico Tite, que não são favoráveis ao evento no País neste momento em que a pandemia de covid-19 está em alta.

Mas agora ele ficará afastado e é mais um problema político recente na confederação. Nos últimos anos, a CBF teve uma sequência grande de presidentes que tiveram problemas de continuidade em seus mandatos. Em 2012, Ricardo Teixeira renunciou após ter seu nome envolvido em denúncias de corrupção. Já em 2015, José Maria Marin foi preso e banido pela Fifa. O mesmo ocorreu com Marco Polo Del Neto, que foi afastado temporariamente em 2017 e banido no ano seguinte.

Caboclo, por sua vez, ganhou a eleição seguinte após a saída de Del Nero e tomou posse em 2019. Ele já tinha sido diretor financeiro e diretor executivo de gestão na CBF. Tinha o apoio de Del Nero e assumiu tentando mudar a imagem da gestão de seus antecessores. Agora, sob acusação, ficará afastado temporariamente para se defender e tentar contornar mais um problema político de dirigentes na CBF.

Investigação

A mulher que acusa Caboclo alega que o dirigente a chamou de "cadela" e tentou forçá-la a comer um biscoito de cachorro. Em outra oportunidade, perguntou se ela se masturbava. Durante reunião com outros dirigentes da CBF, o presidente teria inventado relacionamentos da funcionária com pessoas ligadas à entidade. A vítima afirma que, durante todas essas condutas, Caboclo estava embriagado. Ela disse ainda que ele a orientava a esconder garrafas de bebida na entidade, para que pudesse consumir durante o expediente.

Essas denúncias já haviam sido narradas pela funcionária a superiores hierárquicos anteriormente, mas nenhuma providência foi tomada. Ao narrar o assédio, a funcionária pediu afastamento do cargo por motivo de saúde. "Tenho passado por um momento muito difícil nos últimos dias. Inclusive com tratamento médico. De fato, apresentei uma denúncia ao Comitê de Ética do Futebol Brasileiro e à Diretoria de Governança e Conformidade, para que medidas administrativas sejam tomadas", afirmou a funcionária ao site. O dirigente nega todas as acusações.

Agora a investigação caberá à Comissão de Ética do Futebol Brasileiro, órgão criado pela CBF para receber, apurar e julgar denúncias. Ela é presidida pelo desembargador aposentado Carlos Renato de Azevedo Ferreira e tem duas Câmaras, de Investigação e de Julgamento. A apuração da denúncia caberá à primeira, que conta com três integrantes: a presidente Gladys Regina Vieira Miranda e os membros Júlio Gustavo Vieira Guebert e Antônio Carlos de Aguiar Desgualdo. Essa comissão vai produzir um relatório e encaminhá-lo à Comissão de Julgamento, composta por Marco Aurélio Ravanelli Klein e Amilar Fernandes Alves.

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