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Sequelas psicológicas estão cada vez mais evidentes em pacientes acometidos pela covid-19, alerta especialista



A pandemia causada pela Covid-19 ainda é uma ameaça à saúde física e mental da população mundial. É por isso que, em tempos tão desafiadores, a sociedade necessita compreender a seriedade e a gravidade do cenário provocado por um inimigo invisível, que tem ceifadas muitas vidas em todo o mundo. As sequelas emocionais decorrentes da covid-19 podem ser definidas como um sintoma abstrato, contendo características físicas e com reações adversas e este cenário está cada vez mais presente na rotina de pessoas acometida pelo vírus.

Algumas sensações podem ser transformadas em gatilho gerando o desencadeamento de transtornos psicológicos, como ansiedade, crises de pânico, entre outros, ocasionando desconfortos na rotina de qualquer ser humano. Um estudo feito por especialistas do Hospital San Raffaele, em Milão (Itália), aponta que 55% dos 402 pacientes monitorados após contraírem o vírus desenvolveram ao menos um transtorno psiquiátrico. A pesquisa foi feita com base em entrevistas clínicas e questionários de autoavaliação e apontou resultados como: transtorno de estresse pós-traumático, depressão e ansiedade, além de insônia e sintomas obsessivo-compulsivos.

A psicóloga clínica Mariana Jaciele Chaves de Azevedo explica que, embora as sequelas pulmonares em decorrência da covid-19 sejam as mais conhecidas e evidenciadas, o estresse pós-traumático, a depressão e a ansiedade também estão inseridas nesse contexto. “A atuação do psicólogo tem sido fundamental neste cenário pós–covid. Quando o indivíduo está numa situação de forte abalo emocional, o organismo reage de maneira drástica, fazendo-o alcançar um elevado grau de ansiedade como necessidade de sobrevivência, se tornando ainda mais vulnerável. As manifestações de luto também merecem atenção, visto que se tornaram ainda mais difíceis devido a falta dos rituais de despedida, sendo apenas uma rápida partida após um período de dor”.

SEQUELAS PSICOLÓGICAS

Segundo a psicóloga, após a recuperação da doença, é preciso estar atento a qualidade do sono, aos pensamentos negativos e a alimentação adequada, praticando atividades físicas, e tendo uma rotina produtiva. Existem ainda alguns sintomas que se apresentam na parte física, como a aceleração cardíaca, a irritabilidade, o medo excessivo, a sudorese, e tremedeiras.

“A melhor coisa que uma pessoa pode fazer após passar por um tratamento da covid-19 é se auto avaliar como estava antes e como está agora, depois de ser acometido pela doença. A partir daí, a pessoa passa a observar qual a sua necessidade. O tratamento psicológico também trabalha na prevenção para que a pessoa não chegue numa situação catastrófica. É preciso estar atento”, reforçou.

Não é possível afirmar o período exato de um tratamento psicológico, uma vez que isso varia conforme a resposta de cada indivíduo. “A esperança é fundamental e precisa ser reforçada. Para tanto, é necessário buscar as práticas de vida saudável que propiciem qualidade de vida. Como profissional, desejo que no futuro sejamos uma sociedade mais justa e humana, com responsabilidade social e que os indivíduos tenham condições de se reconstruir e levar sua vida adiante, assim como ter a capacidade de ressignificar a dor para que possa alcançar a resiliência”, concluiu a psicóloga.

EXPERIÊNCIA

A boleira Juliana de Almeida Malta Ximenes foi acometida pela Covid-19 em meados de janeiro deste ano e seguiu todos os protocolos de saúde recomendados. Para ela, manter os cuidados dentro de casa foi desafiador. “Fiquei isolada no quarto e apesar de estar em casa, me mantive distante da família. Cheguei a sentir falta de ar e insônia. Apesar do susto, consegui vencer a doença, porém, as sequelas deixam marcas que até hoje luto para controlar. Hoje convivo com a dormência no braço direito, cansaço diário e o aumento da glicemia”, detalhou.

Juliana também relata sintomas de ansiedade. “Tive uma alteração considerável no meu humor. Passei a ficar mais irritada e impaciente. Isto atrapalhou minha rotina e a válvula de escape foi a comida. Vi a necessidade de buscar ajuda e, hoje, com acompanhamento psicológico, estou mudando meus hábitos e me alimentando de forma saudável. Graças a Deus estou bem melhor e meu conselho é que as pessoas procurem priorizar a saúde, buscando ajuda profissional”.


Texto: Jaqueline Malta
Fotos: Frank Néry
Secom - Governo de Rondônia

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