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Seringueiras nasceu do Núcleo Bom Princípio; Cacaulândia e Theobroma são a síntese cacaueira



Seringueiras também aniversaria hoje. Nascido do Núcleo Urbano de Apoio Rural Bom Princípio, o município herdou agricultores antigamente assentados por um projeto de colonização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Suas terras pertenciam a Costa Marques e a São Miguel do Guaporé.

A sede do município fica na rodovia BR-429, 160 quilômetros a sudoeste de Ji-Paraná. O nome homenageia a árvore Hévea Brasiliense (seringueira). Três toneladas/ano é a média de produção de látex coagulado, mas o município também possui 117,5 mil hectares em fazendas nas quais, pastagens em boas condições ocupam 72,5 mil ha, e 25,6 mil ha são formados por matas naturais destinadas à preservação permanente ou reserva legal. Possui 1.558 propriedades tituladas coletivamente e 51 aguardando titulação definitiva.

A piscicultura está em franco desenvolvimento: o Banco do Povo de Rondônia liberou mais de R$ 100 mil a pequenos produtores associados em 17 projetos para a criação de peixes em tanques. Em 347 propriedades foi feita adubação do solo, enquanto outras 1.330 não o fizeram. O uso de agrotóxicos divide os donos de fazendas: 862 usaram-no, 815 não. Um bom debate no Poder Legislativo Estadual orientou a denominação do município.

“A emancipação tramitou na Assembleia Legislativa com o nome de Bom Princípio de Rondônia, porque o deputado Reditário Cassol, autor do projeto, fora avisado da existência de município no Rio Grande do Sul com o nome escolhido”, lembra o ex-delegado do IBGE, Gerino Alves.

“Quando o projeto foi escolhido para fazer do item XIV, do parágrafo único, do artigo 42 das Disposições Transitórias da Nova Constituição Estadual de 1989, o relator da Constituinte, deputado Amizael Silva, opinava que as expressões d’Oeste e de Rondônia deveriam ser excluídas dos futuros topônimos. E aí sugerimos a Amizael o nome de Seringueiras, por ser a Bacia Hidrográfica do Rio São Miguel grande produtora de borracha, fruto da árvore da família das Euforbiáceas”, acrescenta Alves.
THEOBROMA VEIO COM A FORÇA DA CEPLAC

O município de Theobroma surgiu do NUAR Theobroma, integrante do Projeto de Colonização Padre Adolpho Rohl, que o Incra manteve por alguns anos em Jaru. De 1990 a 2015, Theobroma passou de 356 toneladas/ano para 552t em 2005 e 211t em 2015, informa a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

Theobroma vem atrás de Ariquemes (841 t em 2015), Jaru (610 t), Ouro Preto do Oeste (555 t), Governador Jorge Teixeira (505 t), e Buritis (444 t). Foi o cacau que impulsionou o NUAR a ser município, na esteira do enfrentamento financeiro e à doença. No período de 1970 a 1985, todos os estados apresentaram crescimento na produção de cacau, com destaque para Amazônia, que passou de uma produção de 2.422 em 1980 para uma produção de 40,4 mil toneladas em 1985, um aumento de 1.570,5%.

No entanto, em 1990, os estados do Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso e Rondônia apresentaram queda significativa na produção. Esse período equivalente ao surgimento da vassoura-de-bruxa (Crinipellis perniciosa) detectada na Bahia em 1989 e que fez estragos também nas lavouras rondonienses. Entre 1975 e 1976, muito antes de Theobroma ser um NUAR, uma instituição bancária liberava recursos para o financiamento de 2,5 mil ha de lavouras de cacau. Naquele período, a Ceplac instalava escritórios em Ariquemes, Jaru e Cacoal.

Em 1987 seria criada em Ariquemes a Escola Média de Agricultura Regional da Ceplac, para a formação de recursos humanos qualificados em técnicas agrícolas em apoio ao crescimento e fortalecimento da atividade cacaueira, bem como da agricultura regional.
CACAULÂNDIA TAMBÉM FOI NUAR

Cacaulândia originou-se do NUAR que tinha esse nome, no início dos anos 1980. Obviamente, o seu nome à produção cacaueira do município. Eram 2,4 mil hectares em 1995, porém, restaram apenas 271 ha em 2015.

Novecentas toneladas de peixes por ano põem o município entre os mais produtivos da Amazônia, ao mesmo tempo em que se desenvolvem a bacia leiteira, o café e a cacauicultura.

Diversos piscicultores acreditaram no segmento, recebendo assistência da Emater desde meados de 2010. Um deles, Ronilson de Menezes Morais, começou a comercializar alevinos de pirarucu, entregando mais de 90% de sua produção para fora do Estado. Ronilson tem chácara no Km 1 da Linha C-15, onde iniciou a atividade dispondo de apenas de três casais matrizes, dois tanques construídos pelo programa de mecanização agrícola do Governo estadual, em parceria com frigorífico para engorda de peixes de pirarucu. A desova fez o produtor se interessar pelo manejo dos peixinhos, obtendo seus próprios alevinos para engorda.

Quarenta hectares dos lotes vizinhos situados no cruzamento do travessão TB-65 com a Linha C-15 foram doados para a formação do Núcleo, os proprietários Antônio Urano, João Virgilino da Silva, e Luiz Urano doaram 40 ha de lotes no cruzamento do travessão TB-65 com a Linha C-15.

Desmembrado de Ariquemes, o município veio dos antigos projetos de assentamento Burareiro e Marechal Dutra, cujos lotes de 250 ha. O Incra deixou uma malha viária de 508 quilômetros de estradas aos agricultores. Dois anos atrás, o Governo de Rondônia determinou ao Departamento de Estradas de Rodagem e Transportes (DER) a recuperação da RO-140, utilizando asfalto da usina de Jaru.

O esgotamento sanitário da cidade recebeu investimentos de R$ 10 milhões. Isso faz a diferença

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CONHEÇA MAIS

Seringueiras
Área: 3,7 mil Km²
População: 11,6 mil habitantes. Distante 534 quilômetros da Capital
IDH: 0,687 (médio)
PIB: R$ 117,3 milhões. Per capita: R$ 13,5 mil

Theobroma
Área: 2,19 mil Km²
População: 10,4 mil habitantes. Distante 310 quilômetros da Capital
IDH: 0,589 (baixo)
PIB: R$ 169,7 milhões. Per capita: R$ 14,9 mil

Cacaulândia
Área: 1,96 mil Km²
População: 6,2 mil habitantes. Distante 207 quilômetros da Capital
IDH: 0,646 (médio)
PIB: R$ 133,9 milhões. Per capita: R$ 20,8 mil


Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Frank Néry, Daiane Mendonça e Irene Mendes
Secom - Governo de Rondônia

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