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Uma mulher e 4 homens disputam o cargo de reitor na eleição desta quinta-feira, 6, na única universidade federal no Estado




Campos da Unir, no quilômetro Nove; novos desafios esperam pelo eleito Foto: Diêgo Holanda/G1

Porto Velho, RO – Única universidade federal em Rondônia, a Unir terá eleição amanhã, quinta-feira, para escolher um novo reitor que substituirá o atual, Ari Teixeira Ott. Cinco professores disputam o cargo.

No dia 23 de julho o expressaorondonia.com.br encaminhou a cada um dos cinco candidatos à reitoria da Universidade Federal de Rondônia (Unir), cuja eleição será amanhã, quinta-feira, um questionário de perguntas sobre seus projetos, as razões que cada um entende serem motivação para postularem o cargo, e só três responderam até a manhã desta quarta-feira.

Os candidatos são Marcele Regina Pereira, Cláudio Luiz do Amaral Santini, José Ferrari, Delson Fernando e Marcelo Vergotti.

As perguntas são comuns a todos e tratam exclusivamente de assuntos relativos à própria instituição e sua relação com a sociedade rondoniense. Responderam os candidatos Claudio Luiz do Amaral Santini, Marcele Regina Nogueira Pereira e José Ferrari. A seguir as ideias e os projetos dos candidatos a reitor.

Explique a razão pela qual entende estar apto a assumir a reitoria da UNIR.

Professora Marcele Regina Nogueira Pereira – Pelo conhecimento que tenho da gestão universitária e pelo meu desempenho como diretora de Extensão e Cultura e depois pró-reitora de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis, sinto-me preparada para desenvolver um trabalho, à frente da reitoria, que consolide as conquistas que comunidade universitária alcançou e que hoje se encontram ameaçadas pela postura deliberadamente alheia à realidade da universidade brasileira que vem sendo de alguma forma fomentada dentro dos órgãos de decisão da Educação nacional.



Museóloga e professora da Unir, Marcelle Pereira

Professor Cláudio Santini – O que me qualifica para postular a reitoria é a experiência destes 51 anos de Amazônia, dos quais aproximadamente 40 em gestão, administração de chão de fábrica, educação universitária privada, gestão tecnológica e ambiental.

Professor José Ferrari – Estou em Rondônia há 33 anos, venho atuando na Unir há muito tempo e estive durante nove anos à frente do Departamento de Medicina. e um dos precursores do Curso de Medicina da Unir.

PERGUNTA 1 – Uma das reclamações constantes da comunidade porto-velhense tem sido o distanciamento, não o físico, da Unir em relação à comunidade que se encontra instalada. O que fazer para mudar essa visão?

Professora Marcele – Como pró-reitora que sou, responsável pela área da Extensão, meu compromisso é dar continuidade a todo o trabalho que vem sendo empreendido no sentido de promover a identidade da universidade com a comunidade em que ela está inserida, com um compromisso de justiça social, para com grupos sociais com os quais o estado brasileiro tem uma dívida histórica a ser liquidada. Como reitora, pretendo ampliar consideravelmente o diálogo com os governos, especialmente os municipais onde a UNIR tem Campus, e a sociedade, com vistas a identificar as demandas e questões sociais, para incorporá-las ao planejamento da Universidade nas áreas de oferta de tecnologias, fomento à inovação e à Formação Continuada. Assim teremos uma universidade ainda mais próxima das comunidades

Professor Santini – Para mudar a visão da comunidade, não só a de Porto Velho, mas de todo estado é a UNIR se mostrar e abrir para a sociedade rondoniense indo buscar o que essa mesma sociedade quer e necessita oferecendo seus saberes e comunhão orgânica e não a de palanque.

Professor Ferrari – a inserção da Universidade na comunidade deve ser feita pelas redes sociais, ferramenta a qual a grande maioria da população tem acesso.



Professor José Ferrari

PERGUNTA 2 – Há alguns meses circulou nas redes sociais um vídeo em que o atual reitor fazia apologia ao uso de drogas chamadas “ilícitas”. Há citações generalizadas de que essa prática seria comum no campus. Que tipo de política gerencial pretende implantar para que tal visão modifique na comunidade?

PROFESSORA MARCELE – Primeiramente entendo que é preciso discernir entre fazer apologia ao uso e fazer referência a ele dentro de uma narrativa específica e em um momento específico. Principalmente quando essa narrativa é de cunho individual e referente a um momento pretérito. E por que estou dizendo isso? Não é para fazer uma defesa de uma atitude individual de quem quer que seja, mas para deixar claro que as nossas propostas de política de gestão não são construídas como reação a fatos isolados. Da mesma forma entendo que as tais citações generalizadas retratam o mito que ainda cerca grande parte da nossa sociedade em relação à Universidade, ao que acontece dentro dela. Ainda mais quando se tem um campus universitário distanciado fisicamente da comunidade. O desconhecimento abre espaço para o mito. Então o que nos cabe, no aspecto gerencial, para que o mito se dissipe, é tornar a universidade cada vez mais próxima da sociedade, especialmente por meio de uma política de comunicação institucional que favoreça essa interação. Basta que as pessoas vejam e saibam o que de fato é o cotidiano acadêmico.



Professor Cláudio Luiz do Amaral Santini

Professor Santini – Numa expressão equivocada e errônea esse alto dirigente acabou por fazer apologia a uma droga e uma desdita à cultura cristã, isso aliás tem sido uma prática velada e subterrânea nas universidades públicas nos últimos trinta anos.

Professor Ferrari – A pergunta deve ser dirigida ao Reitor; em todo caso, devo garantir a quem quer que seja o campus da Unir não é um antro de maconheiros e nem de comunistas!

PERGUNTA 3 – Uma queixa antiga entre estudantes que dependem de transporte coletivo para ir/voltar ao campus é a falta de horários bons, especialmente de quem estuda à noite. Como sua administração pretende encontrar um caminho para resolver a questão?

Professora Marcele – Em nosso programa de gestão, atacamos esse ponto de forma bem objetiva: vamos avançar nas discussões e alternativas concretas que permitam a melhoria das condições de transporte no deslocamento dos discentes para o campus da UNIR Porto Velho, considerando também as dificuldades enfrentadas pelos discentes dos campi do interior. Vamos fomentar o diálogo nesse sentido, não apenas com as demais instituições envolvidas na questão, mas também internamente no sentido de construir alternativas, se virmos que não há por parte das demais instituições real interesse em solucionar o problema.

Professor Santini – Um docente nosso o professor Paulo de Tarso do DEE trouxe a ideia do VTL que outros grandes centros utilizam (trafegam em corredores específicos) ou a utilização do trecho redivivo da Estrada de Ferro e de Santo Antônio para o Campus um sistema de vans utilizando o acesso da UHE Santo Antônio sendo tudo em parceria com os poderes públicos Estadual e Municipal.

Cabe destacar também a necessidade de solução similar aos Campi do Interior.

Professor Ferrari – é preciso aumentar a frota de ônibus que chegam e saem do campus, sejam terceirizados ou não. Existe a possibilidade concreta de um corredor de tráfego pela Estrada do Santo Antônio.

PERGUNTA 4 – A recente nomeação do novo ministro da Educação gerou várias críticas, uma delas porque a comunidade acadêmica não foi ouvida e, a outra, por ele ser participante de uma desinência cristã. Aqui cabem duas perguntas: a) para nomear o ministro da Educação o presidente deve consultar o segmento acadêmico? B) o fator “religião” deve ser observado na questão?

Professora Marcele – Não apenas a academia deve ser ouvida, mas todo o sistema educacional, por meio das instâncias representativas das categorias que integram o sistema de Educação. Isso é fundamental em um Estado Democrático de Direitos. Da mesma forma que fazemos a defesa desse diálogo democrático, defendemos também o caráter laico das decisões de estado. Não pode haver retrocesso nas conquistas históricas da sociedade brasileira.

Professor Santini – A nomeação de um Ministro de Estado é competência constitucional do Presidente da República e no caso do Ministro de Estado da Educação ele permeia todos os segmentos do ensino do fundamental ao superior e quanto a ser de designação religiosa nosso ensino é laico, mas o povo em sua grande maioria é cristão, quem se revoltou foi porque perdeu a oportunidade de fazer prevalecer suas ideologias outras.

Professor Ferrari – a responsabilidade de nomear qualquer ministro cabe ao PR que arca com as consequências de nomear pessoas incapacitadas como Weintraub ou farsantes como o último quase ministro!

PERGUNTA 5 – O senhor conhece a previsão orçamentária da Unir para os próximos dois anos? Com os contumazes “contingenciamentos” comuns a qualquer governo, a senhora tem um projeto que permita a sobrevida da Unir ainda que haja esse “condicionamento”? Como será?

Professora Marcele – Eu tenho uma preocupação muito forte com a questão orçamentária, especialmente no que se refere à execução dos programas que garantam as condições de permanência para discentes em condições de vulnerabilidade socioeconômica. Como forma de reduzir o impacto de eventuais contingenciamentos, entendo que é viável concentrarmos esforços em questões como a eficiência energética, por exemplo. Que pode reduzir consideravelmente os gastos. Por outro lado, nenhuma ação gerencial elide a importância que tem o engajamento da comunidade universitária no campo político, exigindo do Governo Federal a garantia dos investimentos na manutenção do ensino superior gratuito em nosso país. O orçamento da Universidade Federal de Rondônia, bem como de outras instituições pública federais, vem sofrendo reduções em decorrência da Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016, que institui o novo regime fiscal nos orçamentos fiscais do Governo Federal, também chamada Emenda do Teto dos Gastos Públicos, que passou a valer a partir de 2017. A emenda traz prejuízos sobre a manutenção das atividades da instituição em decorrência da queda no orçamento de custeio disponibilizado pelo governo federal. Em 2016 foram disponibilizados R$ 37.038.703,00 em custeio para a IFES sendo que para 2020 estão sendo programados R$ 34.059.422,00, representando uma queda, em termos nominais, na ordem de -8,04%, considerando que só o IPCA, inflação oficial do Governo Federal, entre janeiro de 2017 e dezembro de 2019 foi de 11,4%, podemos estipular uma perda em orçamento de custeio próximo a 20%. Situação mais crítica ainda diz respeito ao orçamento de capital, importante para a finalização de obras que estão em andamento na Universidade, bem como para equipar laboratórios e substituir os equipamentos que, ao longo do tempo, vão se desgastando ou se tornando obsoletos. Em 2016 foram disponibilizados R$ 11.714.850,00 em orçamento de capital e, para 2020, apenas R$ 3.571.765,00, representando uma queda na ordem de -69,51% em termos nominais, se considerada a inflação no período, essa queda ultrapassa os 80%.

Há hoje a necessidade de observar boas práticas de gestão dos recursos, sendo que há estudos do PROFIAP que apontam algumas soluções, como já destacado em relação à eficiência energética, sendo que só essa ação poderá gerar uma economia superior a R$ 3.000.000 por ano nos próximos anos. Inclusive convém destacar que nossa equipe possui especialistas nessa área, que já estão trabalhando essa temática. Vamos também nos articular com a bancada federal, apresentando projetos para a captação de emendas individuais e de bancada. É imprescindível criarmos uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPA) na Universidade, sobretudo para financiamento dos laboratórios e ações das áreas de engenharia, agronomia, zootecnia e medicina veterinária. Já há uma equipe trabalhando na proposta e daremos todo o suporte necessário para que nossa proposta seja contemplada. Temos uma boa articulação com o Governo do Estado e algumas prefeituras municipais, para estabelecermos parcerias no sentido de apoiar nossas ações com espaços e infraestrutura física e humana no apoio às ações da Unir, podendo-se expandir essas ações para além das atividades culturais. Entendemos que há outras possibilidades de buscarmos recursos a partir de apresentação de projetos em outras organizações, como a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), onde também estaremos apoiando os atores que estiverem submetendo propostas de captação de recursos, tanto com infraestrutura física e humana como propiciando que esses protagonistas da IFES possam ir até Brasília e em outras unidades da federação, com a finalidade de buscar expertise e negociar nossas propostas. Hoje o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Planejamento e Administração das IFES (FORPLAD) já vem contribuindo com a Universidade Federal de Rondônia em vários aspectos, nossa proposta e participarmos ativamente do Fórum que tem muito a contribuir com a IFES em várias frentes de trabalho, desde a adoção de boas práticas de gestão até a captação de recursos.

Professor Santini – Vossa quinta questão tende a nos levar a um estudo de futurologia e mesmo sendo Espírita não temos esse dom. Os contingenciamentos acontecem em todas as universidades públicas e são mais sentidos naquelas que costumeiramente não utilizam todo o recurso orçamentário recebido em tempo hábil ou por outros motivos e devolve a União essas “sobras”. Temos, por assim dizer, como buscar solução para isso com projetos factíveis, consistentes e cronograma exequível indo bater as portas, na Capital Federal, levando os instrumentos necessários porque o “NÃO” nós já temos, e qualquer coisa a mais já será uma vitória.

Professor Ferrari – as perspectivas para o Brasil são as piores possíveis do ponto de vista financeiro!

PERGUNTA 6 – O senhor considera justo que o ingresso nas escolas federais se faça via pontuação obtida no Enem quando, notoriamente, as vagas nos chamados “cursos de ponta” ficam em maioria para estudantes oriundos de famílias com maior poder econômico?

Professora Marcele – Eu não costumo dividir os cursos me utilizando de conceitos como “cursos de ponta”. Para nós, que vivemos o dia a dia da Universidade, fica bem claro que em todos os cursos há trabalhos “de ponta” sendo desenvolvidos. Não podemos esquecer, entretanto, que vivemos em um contexto capitalista, que leva nossos jovens a fazerem opções de carreira com foco predominante em questões como empregabilidade, perspectiva de renda, dentre outras, em detrimento, muitas vezes, da própria vocação. Então existem cursos com maior e com menor demanda. Para permitir que nos cursos com maior procura por vagas estas venham a ser preenchidas por um número maior de pessoas menos favorecidas economicamente, acredito que um passo a ser dado é buscar ampliar a oferta de vagas, inclusive em outros campi. E paralelamente a isso é importante garantir as bolsas de permanência e outras formas de apoio aos alunos de famílias menos favorecidas.

PROFESSOR SANTINI – O ENEM foi uma forma de apresentarmos um ganho de crescimento educacional para apresentarmos aos organismos internacionais, mas que na verdade tal como aconteceu no ensino fundamental e médio, contudo essa alternativa de ingresso na universidade não foi impulsionada por uma preparação básica que possibilitasse ao alunado um bom desempenho no ensino superior pois essa base foi negligenciada no conteúdo preparatório. A fundamentação foi substituída pela ideologização.

PROFESSOR FERRARI – Metade das vagas são destinadas para a Livre Concorrência e os demais 50% são destinados para as cotas sociais!

PERGUNTA 7 – Se for considerado o princípio da universalização de oportunidades, face à questão acima, qual a sugestão que a senhora oferece que não seja a mais que conhecida “necessidade da melhora do ensino público”, ou oferta de cota?

PROFESSORA MARCELE – A ampliação da oferta de vagas é fundamental. Mas não convém dissociá-la de instrumentos como as cotas. E a melhora do ensino público é favorecida na medida em que a universidade forma um número cada vez maior de profissionais da educação conscientes da necessidade de transformação social, que vão atuar na base do sistema educacional com o compromisso de tornar a escola mais inclusiva.

Ainda nesse sentido, observe-se que nosso programa de gestão prevê cursos de formação Pré-ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), para auxílio aos estudantes da Educação Básica/Ensino Médio em situação de vulnerabilidade socioeconômica, em conformidade com as especificidades de cada campus;

PROFESSOR SANTINI – A pretendida Universalização do ensino superior público ficou carente da preparação e só alguns se auto prepararam para a vida universitária acarretando o desestímulo para as áreas tecnológicas que exigem mais infelicitando aqueles oriundos do ensino público e tampouco as cotas resolveram esse entrave tanto que os índices de permanecentes nessas áreas é baixíssimo daí a forte abstenção.

PROFESSOR FERRAI – Devemos tratar os iguais de forma igual e aos desfavorecidos devemos oferecer oportunidades.

PERGUNTA 8 – Há afirmações constantes de que, apesar do número considerável de professores doutores na Unir, a produção acadêmica/científica não seja condizente com essa quantidade. O senhor concorda com isso ou que projeto tem para inverter essa suposta ordem?

PROFESSORA MARCELE – Para cada área do conhecimento vamos ter necessidades distintas de investimentos que favoreçam a pesquisa. Em nosso programa de gestão, consideramos os enormes obstáculos para a realização de pesquisa empírica na Amazônia, sendo que uma das ações que a PROPESq deve realizar diz respeito ao gerenciamento e à criação de um fundo de apoio à pesquisa de campo, com editais periódicos e acesso aos acadêmicos vinculados à Pós-Graduação da UNIR. Também propomos criar-se um espaço de comunicação virtual com tradução dos conteúdos em línguas diversas. Ainda nesse percurso de inovação, surge a perspectiva de incentivo à criação de um programa de apoio à aproximação da pesquisa com a extensão. O Programa de Gestão demonstra que, nos próximos anos, deve-se apoiar iniciativas que visem a articular e promover intercâmbio entre os conhecimentos científicos produzidos pela UNIR com variados setores da sociedade, para que possam produzir soluções para a superação de problemas e também geração de renda, com base na agenda nacional para a área de ciência e tecnologia. Penso também que é possível, como em outras universidades, publicar editais para submissão de projetos de pesquisa e extensão para os docentes, com disponibilização de bolsas, dando condições de todas as unidades da Universidade participarem e serem contempladas dentro de um limite para cada unidade, orientando a disponibilização desses recursos e dando mais transparência na destinação desses recursos.

PROFESSOR SANTINI – Na Produção Científica além do baixo índice quantitativo por vezes barrado pelos altos custo para publicações, para os padrões de nosso alunado, não existe aporte consistente de recursos em pesquisa/publicação e por outro lado isto conduz a que o forte acaba sendo uma pesquisa de uma parte de algo que já teve várias pesquisas e que é uma contribuição ou modelo de utilidade, o inusitado ou “invenção” foge do Pais.

PROFESSOR FERRARI – A produção de conhecimento exige investimento financeiro. Para promover pesquisas são necessários equipamentos, reagentes, primers e etc e tal

PERGUNTA 9 – Em relação às ofertas de cursos: É comum ouvir-se que a Unir deveria fazer um revisão em seu leque de ofertas, face à necessidade da formação de mão-de-obra condizente com a realidade do Estado. Sua plataforma está tratando disso? Como?

PROFESSORA MARCELE – Propomos colocar em prática uma política de fortalecimento do ensino de graduação presencial, por meio de ações relacionadas com a promoção da qualidade do ensino, e investimento em infraestrutura, pessoal e tecnologia. A proposta considera como pontos fundamentais a consolidação e desenvolvimento dos cursos de graduação com uma gestão baseada em dados e diagnósticos sobre as modalidades presencial e a distância. Em seguida, o planejamento e cumprimento de metas claras e estabelecidas de forma participativa entre os departamentos, núcleos, campi e Pró-Reitoria de Graduação

PROFESSOR SANTINI – O leque de cursos ocorre porque existe um engessamento dos projetos pedagógicos que não permitem a vida orgânica e atualizável dos cursos originais então torna-se mais fácil a propositura de novos que observados de fora parecem mais anexos dos originais do que reais propostas inovadoras. Se surge uma variável temporal em um curso a maratona que tem que se promover no Projeto Político Pedagógico é imensa e com várias instâncias então é melhor se criar novo curso para privilegiar aquela variável e isso não é crescimento e sim inchaço.

PROFESSOR FERRARI – a Unir tem vários campis que devem promover ações de acordo com as necessidades locais

PREGUNTA 10 – Em 2014 o então pró-reitor de planejamento da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Osmar Siena, anunciou a criação do Hospital Universitário. Em 2017 o Ministério Público Federal ingressou com ação contra a UNIR e a União pela não construção do hospital. Em que um hospital universitário vai contribuir para melhora da qualidade de formação dos graduandos da Unir? Qual seu grau de conhecimento do assunto e qual sua opinião a respeito?

PROFESSORA MARCELE – Consideramos de grande relevância acadêmica e social, tanto para a Universidade quanto para o Estado de Rondônia, a implantação de um Hospital Universitário. Contudo, a estrutura demandada para a construção de um HU é muito grande e os espaços e prédio cedidos para a UNIR não possibilitaram a construção e ampliação para adequar esses espaços a um HU, como é o caso do antigo Hospital do Câncer na Estrada do Santo Antônio. A Unir possui a sua disposição um espaço ao lado da Embrapa suficiente para a construção do HU, o que seria uma obra num valor superior a R$ 300 milhões de reais, sendo que só o projeto da obra consumiria dois orçamentos de capital da Universidade Federal de Rondônia. Dado esse alto valor, da Emenda Constitucional nº 95 (PEC do Teto de Gastos Públicos), da situação econômica e do cenário econômico do país e das contas públicas do Governo Federal e das demais unidades federativas, dificilmente teremos condições de dar início a uma obra de tamanha envergadura nos próximos três anos, mesmo buscando parcerias com o governo estadual, mesmo com aporte de recursos de emendas parlamentares e outros esforços de captação de recursos. Destacando que um hospital universitário na Universidade Federal de Rondônia hoje consumiria, só o hospital, todo o orçamento de custeio da instituição. É preciso fazermos uma coisa de cada vez, nosso primeiro passo será adotar boas práticas de gestão pública, reduzindo as despesas da IFES, sobretudo com água e energia, o que deverá demandar dois anos para fazermos essas mudanças e obtermos os resultados deste trabalho. É preciso darmos condições e estimular nossos cursos de engenharia, das ciências agrárias e da área de gestão em apresentarem projetos e propostas de captação de recursos para que essas unidades tenham atendidas as demandas de estruturarem seus laboratórios e mantê-los funcionando, reduzindo a dependência dessas unidades de orçamento da IFES. Concluídas essas etapas, com o apoio e estímulo da nova gestão, o passo seguinte é o hospital universitário, que contemplará os cursos de medicina e enfermagem, além de possibilitar a criação de novos cursos na área da saúde. Contudo, necessário se faz alterar a Emenda Constitucional 95, excluindo tanto a educação quanto a área da saúde do teto dos gastos públicos, algo fundamental para que obras de tamanho vulto seja realizado e mantido. O Governo Federal, a partir do MEC e do Ministério da Saúde, também poderia rever a estrutura mínima de um hospital universitário, de forma a reduzir essa estrutura inicial nesse momento de dificuldade econômica e orçamentária que o país vem passando e que perdurará alguns anos ainda, de forma a possibilitar que as poucas instituições federais de ensino superior que ainda não possuem seus hospitais universitários implantados o façam.

PROFESSOR SANTINI – O Hospital Universitário é o laboratório do curso das ciências médicas, sua inexistência graduará profissionais da saúde em condições de desigualdade para o trabalho laboral desses profissionais ou estaremos formando profissionais da saúde virtuais, sua edificação é fácil, mas sua operação tem necessidade de investimentos constante em insumos e pessoal qualificado e quando nossa reitoria anunciou a criação do HU não previra a operacionalização do mesmo sendo ela abortada por assim dizer fazendo com que o MP ingressasse contra a UNIR e a UNIÃO em vista de que a Organização Social responsável pela operacionalização não se interessasse pela operação. Por outro lado, a edificação inacabada que dispúnhamos não atendiam as necessidade de convênio com o SUS. Assim a formação prática de nossos discentes fica dificultada dependendo do esforço da coordenação do curso em conseguir estágio e residência. Conheço a obra que dispúnhamos e fomos de parecer contrário à sua utilização quando a frente da DIREA.

PROFESSOR FERRARI – Tenho profundo conhecimento do assunto e sou inteiramente favorável a construção e funcionamento do HU.

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