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Com avanço do coronavírus, São Paulo passa a China

COVID-19: o que é, sintomas, transmissão, prevenção - Biologia Net

Porto Velho, RO - A taxa de casos de contaminação e mortes atribuídas à COVID-19 a cada 100 mil habitantes é maior em São Paulo do que a registrada na Espanha durante o lockdown (expressão inglesa para o confinamento mais severo) feito naquele país. Na última semana, o estado teve, em média, 184 mortes confirmadas por dia pelo novo coronavírus, com pico de 324 óbitos confirmados em 24 horas na terça-feira. Já a Espanha teve 838 mortes num único dia, quando foi determinado o fechamento total para conter a disseminação da doença.
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A situação em São Paulo assusta, apesar das medidas de isolamento impostas pelo governador João Doria (PSDB) Ministério da Saúde. Na contagem do número de infectados, o estado atingiu ontem 86.017 casos, número superior ao da China, que tem 84.102 registros, segundo levantamento feito pela universidade americana Johns Hopkins.

Na segunda-feira, Doria afirmou que, por enquanto, o estado não terá lockdown. “Neste momento, tenho que ser sincero. Não há perspectiva de lockdown imediato. Não vamos decretar em nenhuma cidade. Mas o olhar é diário, temos o sistema de monitoramento inteligente”, afirmou o governador. O estado está há mais de dois meses em quarentena e deve continuar neste regime até dia 31.

Doria afirmou que São Paulo vai passar por uma “nova quarentena inteligente”.“Não é imaginável que possamos não ter uma nova quarentena a partir de 1º de junho, mas será uma quarentena inteligente. Ela vai levar em conta toda a regionalização de São Paulo, no interior, capital, região metropolitana e litoral”. A decisão deverá seguir orientação do comitê de saúde do governo estadual, com diferentes níveis de flexibilização do isolamento social ou fechamento.

Na última semana, o estado teve, em média, 184 mortes ao dia por COVID-19, enquanto na Espanha houve 838 óbitos em 24 horas. Na tentativa de aumentar a taxa de isolamento social, o governo paulista decidiu antecipar os feriados. O recesso do dia 9 de julho (Revolução Constitucionalista) foi adiantado para segunda-feira. Os feriados de Corpus Christi (11 de julho) e da Consciência Negra (11 de novembro) também foram adiantados para este mês.

A estratégia trouxe resultados, tendo em vista que a taxa de isolamento social na capital paulista ficou em 57% no domingo. Esse foi o percentual mais alto dos últimos domingos. Entretanto, ainda ficou abaixo das taxas registradas no começo da quarentena, em março. Já no estado, a taxa ficou em 55%. O recomendado pelas autoridades de saúde é de 70%.

Consenso Na manhã da terça-feira, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, afirmou ter uma “avaliação positiva” quanto à taxa média de isolamento social obtida durante o feriado prolongado pela antecipação dos feriados na capital. Ele adiantou que deverá apresentar “números muito positivos”, que já demonstram “estabilização” da pandemia no município. Quanto aos rumos da quarentena a partir de 1º de junho, disse que ainda estão em andamento as tratativas com o governador João Doria, mas que deve surgir consenso sobre as medidas.

A taxa de ocupação nas unidades de terapia intensiva (UTIs) na capital diminuiu em 2%, totalizando 88% no último domingo. Já no estado, a ocupação das UTIs é de 73,8%. A Secretária Estadual da Saúde afirmou por meio de nota que “os óbitos continuam concentrados em pacientes com 60 anos ou mais, totalizando 72,8% das mortes.” De acordo com o órgão é “observando faixas etárias subdivididas a cada 10 anos, que pode se notar que a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (1.474 do total), seguida por 60-69 anos (1.439) e 80-89 (1.203)."

Três perguntas para...Sergio Cimerman, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia

Para Sergio Cimerman, da Sociedade Brasileira de Infectologia, houve atraso na adoção do isolamento no Brasil, principalmente nas capiitais(foto: Arquivo pessoal)

Houve demora na adoção de medidas de isolamento?
Acredito que sim. Houve um certo retardo em todos os estados, principalmente nas grandes capitais. E, agora, nós estamos colhendo os frutos deste pico de curva que não tende a cair.


O senhor acredita que a proposta de adiantar feriados vai ajudar a diminuir a transmissão do vírus?
Na verdade, é uma tentativa que se está fazendo no estado de São Paulo para melhorar a redução de mobilidade. Em princípio, nos primeiros dias, isso não alterou muito a redução de mobilidade. Temos que aguardar o final para uma nova reavaliação


Quais as maiores dificuldades na luta para conter o avanço do vírus?
As maiores dificuldades na luta para combater o vírus é na verdade a alta transmissibilidade e alta contagiosidade e é um vírus que não tem um tratamento, até então, comprovado. Então, isso é outro fator que também complica. Outro fato é que as pessoas ontenão estão fazendo isolamento social adequado. Essas são medidas que a gente precisa melhorar para que possamos ter uma resposta melhor em relação à COVID-19.


Fonte: Estado de Minas

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