Pai acusado de matar filha admite agressão: 'Dava tapa e saía sangue' - Voz de Rondônia

terça-feira, 19 de junho de 2018

Pai acusado de matar filha admite agressão: 'Dava tapa e saía sangue'


O pai da menina Emanuelly Aghata da Silva, que morreu aos 5 anos, em março, com sinais de espancamento, em Itapetininga (SP), afirmou durante a primeira audiência realizada pelo juiz Alfredo Gehring que agredia a filha com tapas no rosto como forma de disciplina e que a menina chegava a sangrar na boca.


Durante o depoimento, Phelipe Alves, de 25 anos, admitiu que a agredia, mas negou a acusação de que matou a filha e de que a torturava.



“Eu dava umas palmadas nela e também uns tapas. Saía um pouco de sangue na boca. Ela desobedecia a mãe e eu corrigia a Emanuelly", disse o pai.




Phelipe também contou que "batia forte" na menina. "Também já bati com uma boneca na cabeça dela que chegou a quebrar”, afirmou durante o interrogatório.


Phelipe e a mãe Débora Rolim da Silva, de 24 anos, estão presos na penitenciária em Tremembé desde que tiveram a prisão preventiva decretada em março, acusados do crime.


O caso foi denunciado pela equipe médica que atendeu Emanuelly, na noite de 2 de março, quando ela foi antendida no pronto-socorro com ferimentos. Os profissionais desconfiaram dos hematomas e acionaram a polícia.


A audiência foi realizada nesta segunda-feira (18) no Fórum de Itapetininga e a reportagem do G1 acompanhou os depoimentos de 33 testemunhas, além dos pais da criança.


Após 10 horas, o juiz decidiu que os dois sejam julgados em júri popular pelos crimes de homicídio, tortura, cárcere privado e adulteração de local do crime.





Casal é preso suspeito de matar filha de 5 anos em Itapetininga (Foto: Reprodução/Facebook)



O réu disse também que no dia 2 de março ficou na casa com Emanuelly durante o dia e que a criança chegou a arranhar a mãe assim que a mulher chegou do trabalho.


“Eu estava na casa e ela estava de castigo porque já tinha desobedecido a mãe. Quando a Débora chegou, eu fui comprar um cigarro. Ao voltar, meu filho menor disse que a Manu tinha arranhado a mãe. Eu fui lá no quarto e dei umas palmadas nela”, alegou ao juiz.


De acordo com Phelipe, na sequência a menina urinou na calça e, ao levar ao banheiro, ele a empurrou. Na sequência, o pai alega que a criança teria escorregado, batido a cabeça e ficado desacordada.


Phelipe também confirmou durante o depoimento que já tem passagens na polícia pela lei Maria da Penha contra Débora e também por furto, além de ter sido usuário de maconha, crack e cocaina.




Depoimento da mãe




Débora também prestou depoimento durante audiência. Questionada pelo juiz sobre as denúncias dos crimes de homícidio, cárcere privado, tortura e fraude processual, ela negou todos.



Débora Rolim da Silva prestou depoimento em audiência sobre a morte da filha Emanuelly em Itapetininga (Foto: Paola Patriarca/G1)


Segundo a mãe da criança, o pai batia nela quando a desobedecia. Na noite da morte, ela alega que a filha a arranhou com um arame e quando Phelipe soube, foi conversar.



“Ele soube que ela tinha me arranhado e foi lá conversar com ela. Passei uma hora na porta do quarto e eles estavam conversando. Depois de 20 minutos ele estava com ela no colo. Não ouvi grito e nem choro. Ele disse que caiu e que ela teve convulsão. Aí tentamos reanimar ela com acetona e ela já estava molhada com xixi. Aí chamamos o Samu”, relatou a jovem ao juiz.


De acordo com Debora, ela não agredia a filha e que a menina sofria queda capilar.


“Eu não ia lutar três anos por ela se eu não amasse ela. Eu não ia pegar uma criança pra bater nela. Ela era uma menina doce, meiga. Só me desrespeitava. Já o Phelipe, ela obedecia. Ela estava com hematomas, mas eram poucos por causa das quedas que sofria. O cabelo ela tinha problema de queda porque eu prendia muito forte. Depois só no dia que ela morreu que vi que ela tinha mais hematomas”, afirmou durante depoimento.


Questionada sobre sangue na casa, Débora afirmou que não viu. "Eu não vi nenhum sangue pela casa. Nada", afirmou.




Audiência




Vestindo uniformes da cadeia, Débora e Phelipe chegaram ao fórum às 10h15. A audiência começou às 10h30. Foram ouvidas 33 testemunhas.


A primeira pessoa que foi ouvida foi a babá da menina, que trabalhou por três meses na casa da família.



Audiência sobre o caso Emanuelly foi realizada no Fórum de Itapetininga (Foto: Paola Patriarca/G1)



Durante o depoimento, ela relatou que somente Emanuelly, entre os três filhos de Débora, apresentava hematomas pelo corpo. Além disso, disse que denunciou o caso após notar que havia um hematoma no olho da menina.


Em seguida, uma investigadora da Polícia Civil, que esteve no hospital com o delegado no dia da morte, prestou depoimento.


Para a policial, a frieza dos pais, principalmente da mãe, chamou a atenção durante o socorro da criança.


Dois delegados, o que estava de plantão no dia da ocorrência e o que concluiu o inquérito, foram ouvidos na sequência, assim como o escrivão de plantão e a escrivã da Delegacia de Defesa da Mulher. Outros três policiais civis foram dispensados da audiência.


Por volta do meio-dia, o juiz chamou a equipe do Samu que fez o primeiro atendimento na casa da família.




























Caso Emanuelly: Pais da menina participam como réus de audiência em Itapetininga


De acordo com um enfermeiro, Emanuelly estava inconsciente deitada na cama quando a equipe a encontrou em parada cardíaca.


Ainda conforme o enfermeiro, logo ele notou os hematomas na menina e viu que a calça dela estava molhada de urina.


Durante o relato do socorrista, o pai da menina balançou a cabeça por várias vezes, enquanto a mãe permaneceu inquieta, sempre balançando as pernas.





Depoimento da irmã




O casal sentou lado a lado, em cadeira separada, e ficou de mãos dadas em alguns momentos.


Débora se emocionou durante a audiência quando a irmã de Emanuelly, de 9 anos, entrou na sala e prestou depoimento.


A criança disse que Emanuelly não estava indo para a escola e que no dia da morte da menina lembra de vê-la deitada no quarto.


Já durante o depoimento da professora da Emanuelly, os ânimos entre o promotor e advogado de defesa ficaram alterados e o juiz precisou intervir.


Durante o período da tarde, familiares do casal, entre eles as irmãs do Phelipe, vizinhas e conselheiros tutelares também foram ouvidos pelo juiz.



Suspeita é que Emanuelly foi morta ao ser agredida pelos pais (Foto: Reprodução/Bom dia Cidade)




Júri popular




Após as testemunhas serem ouvidas, o juiz Alfredo Gehring decidiu que o casal seja julgado em júri popular pelos crimes de homicídio, tortura, cárcere privado e adulteração de local do crime.


O juiz disse ao G1 que apenas excluiu a qualificadora do crime de feminicídio, solicitada pelo promotor Leandro Conte. Os advogados de defesa e promotor podem entrar com recurso em um prazo de cinco dias corridos.


“Nesse prazo o Tribunal pode analisar os recursos. Se eles forem negados, o júri será marcado”, explicou Gehring.




Relembre o caso





Emanuelly morreu na manhã do dia 3 de março depois de dar entrada na noite anterior no pronto-socorro de Itapetininga.



Débora com Emanuelly durante reportagem exibida em 2016 na TV TEM sobre guarda de filhos (Foto: Reprodução/TV TEM)


Os pais alegaram que a criança costumava se machucar e, que neste dia, também havia caído da cama, o que teria provocado uma convulsão.


Os médicos, no entanto, disseram à polícia que as lesões encontradas na menina não condiziam com a versão dos pais.


Diante disso, os pais foram detidos e, após audiência de custódia, encaminhados para presídios da região.


Segundo a Polícia Civil, a menina estava na casa onde morava com os pais e outros dois irmãos no Centro quando começou a passar mal. Uma equipe do Samu foi chamada para atender a ocorrência.




FONTE: Paola Patriarca, G1 Itapetininga e Região

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